A Marinha Portuguesa resgatou mais 83 pessoas nas últimas 24 horas devido às cheias em Portugal, provocadas pelo agravamento das condições meteorológicas associadas às depressões Kristin e Leonardo, que continuam a afetar várias regiões do território nacional.
As operações de resgate intensificaram-se nos últimos dias, sobretudo nas zonas ribeirinhas mais vulneráveis, onde a chuva intensa causou uma subida rápida do nível das águas, deixando populações isoladas e vias de comunicação submersas.

Alcácer do Sal e Leiria entre as zonas mais afetadas
De acordo com a Marinha, os concelhos de Alcácer do Sal e Leiria registaram as situações mais críticas. Nestes locais, os militares recorreram a botes previamente posicionados para retirar pessoas que se encontravam isoladas em habitações ou sem possibilidade de circulação em segurança.
Desde o início deste episódio de mau tempo, já foram resgatadas 215 pessoas, incluindo idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida, algumas das quais necessitaram de apoio médico após o salvamento.
Resgate de animais e apoio ao setor agrícola
Durante as operações, foram também resgatados 15 animais em Leiria. Em Benavente, o Corpo de Fuzileirosprocedeu à relocalização de 10 cavalos e 70 vacas para zonas seguras junto ao Mochão do Malagueiro, numa ação coordenada com as autoridades locais.
A Marinha sublinha que a resposta às cheias incluiu não apenas a proteção de pessoas, mas também a salvaguarda de animais e explorações agrícolas, fortemente afetadas pelo avanço das águas.

Mais de 2.500 pessoas apoiadas
Até ao momento, a Marinha já apoiou mais de 2.500 pessoas no âmbito da resposta às cheias, tendo ainda procedido à reparação de mais de 60 habitações e edifícios públicos danificados.
Foram igualmente desobstruídos cerca de 60 quilómetros de estradas nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém, permitindo restabelecer ligações essenciais e garantir o acesso dos meios de socorro às zonas mais afetadas.
No rio Lis, em Leiria, foram recolhidas mais de 147 toneladas de detritos, uma operação considerada crucial para reduzir o risco de novos galgamentos e melhorar o escoamento da água.
Meios posicionados em vários rios do país
Para resposta imediata a novas ocorrências, a Marinha mantém 44 botes operacionais em zonas ribeirinhas com risco de cheias:
- Rio Lis (Leiria): quatro botes
- Rio Mondego: 16 botes em Montemor-o-Velho, Coimbra e Soure
- Rio Tejo: oito botes em Tancos e quatro em prontidão
- Rio Sorraia: dez botes em Coruche e Benavente
- Rio Sado (Alcácer do Sal): dois botes
Presença reforçada no rio Guadiana
A Autoridade Marítima Nacional (AMN) mantém também uma presença reforçada no rio Guadiana, em Vila Real de Santo António, com três embarcações e uma mota de água, tendo já prestado apoio a 33 embarcações, sobretudo devido a dificuldades de navegação causadas pela corrente e pelos detritos.
Mais de 500 operacionais no terreno
No total, estão atualmente empenhados cerca de 508 militares, militarizados e agentes da Polícia Marítima, apoiados por 63 viaturas, 53 embarcações, 17 drones, quatro geradores e um helicóptero em prontidão.
A Marinha garante que o reforço de meios continuará a ser ajustado em função da evolução das condições meteorológicas e das avaliações realizadas em articulação com as autarquias locais.
Apesar da pressão operacional causada pelas cheias, a Marinha e a AMN sublinham que continuam a assegurar, em permanência, as missões de busca e salvamento, patrulhamento e vigilância marítima, consideradas essenciais para a segurança nacional.






