Situações de emergência requerem medidas e mecanismos de emergência.
Numa situação como vimos esta semana 60 municípios, e consequentemente centenas de milhares de portugueses, mergulhar, privados da sua casa, de água potável,de eletricidade e alguns casos até dos seus bens alimentares, deverá fazer ver a toda a comunidade que temos de ter a resposta necessária de todos os pontos vista pronta para qualquer ocasião.
E isso inclui os bens alimentares.
Sou daqueles que acredita que num país evoluído, e bem planeado, não deverá existir lugar à caridade, aos donativos, aos Bancos Alimentares que visam suprimir a incapacidade ou ausência de resposta pública às carências da comunidade.
Sei que é uma opinião polémica, não vivo mal com isso.
Por isso, ter visto centenas (ou milhares) de leirienses à porta de um estádio para receber alguns bens alimentares que provinham quase na sua totalidade de donativos públicos não me pode deixar de chocar e de considerar que neste campo a resposta do Estado roça a nulidade.
Não deveriam ter sido os donativos populares a alimentar aquelas pessoas, deveria ter sido a estrutura pública, do Estado, através das suas múltiplas vertentes a garantir que aqueles portugueses atingidos por um situação inesperada e brutal tinham pelo menos o que comer no final do dia.
Aquela fila organizada e alimentada por populares é um excelente sinal de humanismo, mas é um grande sinal de falta de planeamento das autoridades competentes.
Consideremos um cenário absurdo: ninguém fazia um donativo. O que aconteceria então?
Os leirienses continuariam à espera, teriam passado dias de fome em casa, estariam em subnutrição a reparar os seus telhados? Não é uma situação admissível.
Geradores de eletricidade, postes de eletricidade, grupos de bombagem para o sistema de águas e saneamento, materiais de construção são difícieis de disponibilizar de um dia para o outro,todos o sabemos, e em quantidade necessária para responder a este tipo de eventos será sempre um difícil exercício de planeamento a longo prazo, manutenção em dia e poder de antecipação. É um exercício que envolverá investimento público, grande investimento público, e ao qual não conseguimos fugir.
Não é o caso dos bens alimentares.
Conhecendo a indústria alimentar portuguesa apostaria que muitos dos nossos fabricantes agradeceriam o alívio de stock neste habitual parado mês de Janeiro, e que responderiam com toda a prontidão a esta exigência, haveria uma disponibilização quase de imediato dos bens alimentares necessários e que fariam falta a muitos dos afetados.
Este planeamento, este plano de resposta a situações de emergência, deve estar na cabeça de todos aqueles que têm como responsabilidade responder a este tipo de eventos, porque não só os teremos mais frequentemente, como está à vista de todos, como teremos de ter os nossos meios de reacção prontos para todo o tipo de necessidades.




