A morte de Ivone Baptista de Magalhães, figura incontornável da cultura e da museologia em Esposende, deixa um vazio difícil de preencher no concelho e em todo o litoral minhoto. Tinha 63 anos.
Natural de Marinhas, Esposende, Ivone construiu uma vida profundamente ligada ao mar — não apenas como objeto de estudo, mas como identidade cultural. Filha de faroleiro, cresceu entre comunidades piscatórias e portuárias, experiência que marcou de forma decisiva o seu percurso académico e profissional.
Licenciada em História, variante de Arqueologia, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, acumulou várias pós-graduações, incluindo Museologia, Arqueologia da Paisagem e Arqueologia Subaquática e Naval, estando ainda a desenvolver um doutoramento em História Marítima.
Desde 1982 ao serviço da Câmara Municipal de Esposende, onde coordenou o Serviço de Museu Municipal e os Núcleos Museológicos, foi uma das principais responsáveis pela valorização da identidade marítima local. Ao longo de mais de três décadas, liderou projetos que cruzaram investigação, preservação e divulgação cultural.
Entre as suas marcas mais distintivas está o trabalho direto com comunidades piscatórias, recolhendo saberes tradicionais e promovendo a sua valorização.
Foi também impulsionadora de iniciativas como as Festas dos Pescadores de Esposende e os encontros de embarcações tradicionais, contribuindo para a recuperação de técnicas ancestrais de construção naval em madeira.
Um dos momentos mais simbólicos do seu percurso foi a participação na construção da réplica da embarcação “Santa Maria dos Anjos”, do Forum Esposendense, que representou Esposende na Expo’98 — a única embarcação nacional construída de raiz para a exposição.
Ivone Baptista de Magalhães destacou-se ainda pela sua capacidade de ligar o passado ao presente, defendendo que o património cultural só se preserva através do seu estudo, mas também da sua vivência pelas comunidades.



