O Município de Barcelos assinalou este sábado o 25 de Abril com uma sessão solene no Auditório dos Paços do Concelho, marcada por um discurso direto do presidente da autarquia, que fez um balanço de meio século de democracia e deixou avisos claros sobre o presente.
Perante representantes de todas as forças políticas com assento na Assembleia Municipal, Mário Constantino Lopes não suavizou o tom: recordou que Portugal saiu de “o mais longo regime autoritário do século XX na Europa” e apontou à atualidade, denunciando uma “crise de memória” alimentada por discursos populistas e pelo afastamento da verdade.
O autarca centrou a intervenção na transformação de Barcelos desde 1974, destacando o papel do poder local. Antes da Revolução, descreveu um concelho marcado por isolamento, com “rede viária rudimentar” e falta de infraestruturas básicas. Hoje, o cenário é outro.

Nos últimos anos, segundo o presidente, houve uma “verdadeira revolução” na mobilidade, com a circular urbana em fase final, mais de 270 caminhos abertos nas freguesias e dezenas de quilómetros de estradas em requalificação.
Também nas áreas sociais e educativas, o salto é evidente. De um território com analfabetismo estrutural, Barcelos passou a registar níveis de ensino superior acima da média nacional, com o IPCA apontado como peça-chave nessa evolução.
Outro dos pontos sublinhados foi o investimento: entre 2021 e 2025, o município aplicou 86,9 milhões de euros, mais do que em três mandatos anteriores. A este valor somam-se 67,7 milhões de euros aprovados no PRR, com destaque para a habitação (35 milhões), saúde e educação.
Apesar da confiança na execução dos fundos europeus, Mário Constantino Lopes admitiu preocupação com os prazos, garantindo ainda assim que a autarquia está a preparar alternativas através do Portugal 2030.
No fecho, deixou um aviso político claro: “há que continuar a resistir e a lutar todos os dias pela democracia”, alertando para os riscos da manipulação da informação.
A sessão terminou com a intervenção do presidente da Assembleia Municipal, Fernando Pereira, que reforçou a importância da Constituição de 1976 e apelou à participação cívica, sobretudo dos mais jovens, sublinhando que o 25 de Abril continua a ser um compromisso ativo com a liberdade.




