O deputado municipal João Lopes, da coligação Amar e Servir Braga, deixou um aviso direto sobre o processo do BRT em Braga: a suspensão da Linha Vermelha pode ainda trazer “potenciais e pesadas indemnizações” para o município.
A declaração surgiu durante a Assembleia Municipal dedicada às contas das empresas municipais e acabou por relançar a polémica em torno do projeto de mobilidade que foi travado pelo atual executivo.
No documento apresentado pelo movimento Amar e Servir Braga, João Lopes refere mesmo que a situação poderá obrigar a um orçamento retificativo. O texto fala na necessidade de evitar encargos relacionados com “a suspensão da linha vermelha do BRT”.
A intervenção abriu caminho para uma das frases mais fortes da sessão, protagonizada pelo socialista João Nogueira, que questionou o silêncio político sobre o destino do projeto.
“É preciso dizer o seguinte: o BRT morreu e nós ainda não fizemos a autópsia. E temos de saber o que se passou, de que é que morreu, e o que é que aconteceu aos restos mortais”, afirmou o deputado do PS.
O socialista acusou o executivo de nunca ter explicado, de forma concreta, porque avançou para a suspensão da Linha Vermelha e quais poderão ser os custos reais dessa decisão para os cofres municipais.
A discussão surgiu no âmbito da análise às contas das empresas municipais, mas rapidamente ultrapassou a vertente técnica. O tema dos TUB e da mobilidade acabou por dominar parte significativa do debate político.
Além da questão do BRT, João Lopes apresentou uma análise crítica às várias empresas municipais. O documento do Amar e Servir Braga aponta reservas à evolução financeira da InvestBraga, AGERE, BragaHabit e Faz Cultura, defendendo maior rigor na execução de investimentos e menor dependência de subsídios municipais.
No caso da AGERE, o movimento alerta para o aumento dos subsídios à exploração e para atrasos em investimentos estruturantes como a ETAR do Este. Já na InvestBraga são levantadas dúvidas sobre a rentabilidade de equipamentos como o Fórum Braga e o Centro de Juventude.
Do lado da maioria, o PSD respondeu acusando a oposição de tentar criar “alarmismo” em torno de empresas que considera financeiramente sólidas.
Ainda assim, foi o BRT que acabou por marcar politicamente a sessão, quase dois anos depois de o projeto ter sido travado.



