Feita a prestação anual de contas das Empresas Municipais de Braga referente ao ano de 2025 é altura de analisar o desempenho de cada uma delas ao longo dos últimos anos e também perspetivando o actual exercício. Começando pela AGERE, que detém o controlo dos mercados de abastecimento de água, saneamento e recolha de resíduos, sendo assim de esperar que apresente sólidos resultados repetidamente.
No entanto, o resultado líquido de 2025, que superou o de 2024 em quase um milhão de euros, dependeu de um grande aumento dos subsídios à exploração por parte do município – 1,5 milhões de euros – tendo também contribuído para a inversão da tendência decrescente do resultado por acção que se fixou em 18 cêntimos.
No plano jurídico, o Tribunal Arbitral já proferiu o acórdão, que ainda não é definitivo, sobre o processo movido pelo sócio Geswater à Agere, com um pedido de indemnização que ronda os 42 milhão de euros, mas que ainda se encontra em negociação entre as partes. A ver se este litígio não contribuirá para atrasar ainda mais o investimento na ETAR do Este. É de notar uma subida de 12% com os gastos com pessoal nos últimos dois anos, continuando esta rubrica a subir significativamente em 2026, mas não se notando um aumento da força de trabalho. Ainda assim, saúda-se a redução da taxa de absentismo apesar de ser quase o dobro da média nacional.
Na produtividade, o volume de negócios por colaborador aumentou 12% desde 2021, pelo que nos devemos interrogar se o município deve continuar a conceder tantos milhões de euros em subsídios à exploração, quando esta empresa deveria usar as suas “boas pernas para caminhar”. Infelizmente, para o acionista maioritário, o município, o contrato-programa celebrado em 2025 terá uma duração de longos dez anos, mas fica lançado o repto para que esta situação seja debatida neste e em próximos mandatos.
A Agere possui um Mapa Estratégico com indicadores do seu negócio passando aqui revista aos mais relevantes:
• Objectivo de melhoria dos Resultados Operacionais: 2025 pior que 2022;
• Objectivo de garantir o plano de investimentos aprovados: quarto ano consecutivo abaixo dos 40% de execução;
• Objectivo de reduzir gastos operacionais: aumento de 32% desde 2022;
• Objectivo de melhorar a eficácia de cobrança: imparidades dispararam dos 190 mil para 780 mil euros e a água não faturada situa-se no valor mais elevado dos últimos 10 anos;
• Objectivo de aumentar a adesão de clientes: o que efectivamente sucedeu mas à boleia do aumento populacional e da situação monopolista do negócio;
• Objectivo de aumentar o nível de satisfação dos clientes: mas este a baixar de 7,9 para 7,8 numa escala de 1 a 10 e com o n.º de reclamações a subir pelo terceiro ano consecutivo.
Quanto ao investimento em infraestruturas, a Central de Produção de Biometano já leva um atraso de meio ano em relação ao previsto. A exemplo da ETAR do Este, este é outro investimento que não é executado dentro da meta traçada. Por falar em ETAR do Este e do seu Emissário, o Plano Plurianual de Investimentos reporta uma execução orçamental de 8,1 milhões de euros, mas continua sem se ver movimentações no terreno.
Com 79% do capital detido pela Agere, a Braval está a cerca de ano e meio de fechar a célula de aterro existente, estando em avaliação a abertura de uma nova célula para estender o horizonte de funcionamento em dez anos. E depois? Qual a estratégia a seguir na gestão de resíduos, sabendo que as decisões e prazos de execução se prolongam no tempo? Estará a Serra do Carvalho condenada a transformar-se num monumental aterro comportando riscos para os solos e mananciais de água, que, inclusivamente, alimentam o Rio Este?
Apela-se à vigilância sobre a Estação de Tratamento de Lixiviados da Braval pois há sérios riscos para o Ambiente no concelho de Braga como recentemente os vereadores de Amar e Servir Braga deram a conhecer. O município tem planos para a renaturalização do Rio Este, mas este poderá estar a sofrer com poluição severa junto à sua nascente, colocando em causa a biodiversidade, mas também o investimento e recursos aplicados.




