Socialistas criticam projeto da maioria PSD/CDS-PP de criar apenas 40 lugares por quase 3 milhões de euros; oposição garante que silo triplicaria capacidade
O Partido Socialista (PS) de Vila Nova de Famalicão apresentou uma proposta alternativa para mitigar a escassez de estacionamento na malha urbana, criticando frontalmente o plano da coligação PSD/CDS-PP. Em causa está o projeto do executivo que prevê a alocação de 2,7 milhões de euros de fundos públicos para conceber apenas 40 lugares de estacionamento subterrâneos.
Para a bancada socialista, a solução adotada pela maioria camarária fixa um custo financeiro incomportável, na ordem dos 4.500 euros por metro quadrado, considerando-o totalmente desfasado da realidade económica e das carências dos cidadãos. Como contrapartida, o PS defende a edificação de um parque em formato de silo auto nos terrenos contíguos à interface ferroviária da cidade.
Quatro pisos e mais de 200 lugares pelo mesmo valor
O estudo prévio delineado pelos vereadores da oposição projeta uma infraestrutura moderna distribuída por quatro pisos, totalizando uma área bruta de construção de 3.600 metros quadrados. O edifício teria capacidade para albergar 212 viaturas, resolvendo simultaneamente o défice de parqueamento verificado na envolvente da gare e no acesso aos serviços públicos de saúde.
Cláudia Vieira, vereadora do PS na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, expressou a sua perplexidade face às opções orçamentais da autarquia:
“É incompreensível que o executivo municipal pretenda gastar 2,7 milhões de euros para criar meros 40 lugares, quando o mesmo valor permitiria construir um silo auto com mais de 200 lugares, resolvendo de vez os problemas de quem utiliza o transporte coletivo e o Centro de Saúde. Este projeto visa acabar com o atual vazio urbano e devolver às pessoas um espaço com maior segurança e utilidade real”, sustentou.
Viabilidade técnica no Plano Diretor Municipal
O partido assegura que a empreitada é tecnicamente exequível à luz do atual Regulamento do Plano Diretor Municipal (RPDM). Apesar de as regras para os espaços centrais de Nível 1 privilegiarem o uso misto do solo, o enquadramento legal da obra encontra sustentação nos usos compatíveis salvaguardados pelo Artigo 26.º do documento regulador do território, cujas diretrizes gerais de urbanismo podem ser consultadas no portal da Direção-Geral do Território.
O plano do PS pretende retificar uma zona que funciona atualmente como parque de superfície precário com capacidade para 100 automóveis, requalificando a paisagem urbana. A reestruturação da mobilidade proposta prevê ainda que as vagas de superfície situadas junto ao Centro de Saúde local passem a ser de acesso restrito e exclusivo para a direção clínica e transporte de doentes urgentes, canalizando o fluxo diário de utentes em geral para a nova estrutura em elevação.



