O Sindicato dos Jornalistas (SJ) criticou a intenção do Parlamento Europeu de reduzir significativamente os apoios comunitários destinados ao jornalismo no próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 e acusa o Governo português de ignorar os alertas sobre a crise no setor.
Em comunicado, o SJ associa-se às preocupações já manifestadas pela Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), considerando que os cortes previstos representam um sinal “prejudicial para a democracia” e insuficiente para garantir uma comunicação social “forte, livre e independente”.
No centro da polémica está o novo programa europeu AgoraEU, que inclui uma componente dedicada ao “Jornalismo e Informação”, mas que reservará apenas 11,7% da verba total ao setor. Na prática, o montante destinado ao jornalismo ficará pelos cerca de 1,25 mil milhões de euros ao longo de sete anos.
Segundo a FEJ, o valor fica muito abaixo da proposta inicial apresentada pela Comissão Europeia, que previa 3,2 mil milhões de euros repartidos entre o audiovisual e os meios de informação.
“A Europa não pode declarar o jornalismo essencial para a democracia e, simultaneamente, alocar apenas uma fração do programa para o apoiar”, afirmou a presidente da FEJ, Maja Sever.
O Sindicato dos Jornalistas revela ainda ter solicitado reuniões aos ministros das Finanças e da Presidência para discutir mecanismos de reforço do financiamento europeu ao setor e modelos de distribuição considerados mais equilibrados em Portugal, mas garante não ter recebido qualquer resposta.
“É preocupante este sinal de desinteresse do Governo na sustentabilidade do jornalismo português”, criticou o presidente do SJ, Luís Simões.
O sindicato alerta também para o agravamento das dificuldades económicas enfrentadas pelos órgãos de comunicação social europeus, apontando a quebra contínua das receitas publicitárias tradicionais e o crescimento do poder das grandes plataformas digitais como fatores que estão a fragilizar o setor.
Já a diretora da FEJ, Renate Schroeder, defendeu um compromisso mais forte da União Europeia no apoio ao jornalismo de interesse público, alertando que muitos meios de comunicação — sobretudo regionais e locais — enfrentam atualmente “uma ameaça de extinção”.



