A detenção de um homem de 24 anos por alegados crimes de aliciamento de menores para fins sexuais e pornografia de menores voltou a colocar em destaque um fenómeno que preocupa cada vez mais as autoridades: o chamado “grooming” online.
O caso, investigado pela Polícia Judiciária (PJ), teve origem na denúncia da mãe de uma jovem de 14 anos que encontrou no telemóvel da filha conversas de teor sexual com um desconhecido. Segundo a PJ, o suspeito terá conquistado a confiança da menor através da internet, convencendo-a a enviar conteúdos íntimos e, mais tarde, recorrendo a ameaças para obter mais material.
Para além da componente criminal da notícia, o caso serve de alerta para pais, encarregados de educação e jovens sobre uma realidade que se tem tornado cada vez mais frequente no espaço digital.
O que é o grooming?
O grooming é uma estratégia utilizada por predadores sexuais para criar uma relação de proximidade com crianças ou adolescentes através de redes sociais, jogos online, aplicações de mensagens ou outras plataformas digitais.
O processo pode durar dias, semanas ou até meses. O agressor procura ganhar a confiança da vítima através de conversas aparentemente inocentes, elogios, apoio emocional ou interesses comuns. Quando a relação está consolidada, começam os pedidos de fotografias, vídeos ou conversas de natureza sexual.
Em muitos casos, quando o menor tenta interromper o contacto, surgem ameaças, chantagens ou tentativas de extorsão com o material já obtido.
Sinais de alerta
Especialistas em segurança digital recomendam atenção a alguns comportamentos:
- Isolamento repentino do jovem durante a utilização da internet;
- Necessidade excessiva de privacidade nos dispositivos;
- Receção de mensagens constantes de desconhecidos;
- Alterações de comportamento, ansiedade ou medo;
- Relutância em mostrar conversas ou perfis online.
O papel dos pais
As autoridades aconselham os pais a manterem um diálogo aberto com os filhos sobre os riscos da internet, explicando que nunca devem partilhar imagens íntimas ou informações pessoais com desconhecidos.
A denúncia rápida continua a ser uma das principais armas para travar este tipo de crime. No caso agora investigado pela Polícia Judiciária, foi precisamente a atenção da mãe da adolescente que permitiu desencadear a investigação e levar à detenção do suspeito.
Num tempo em que crianças e jovens passam cada vez mais horas ligados ao mundo digital, casos como este demonstram que a vigilância, a informação e a prevenção continuam a ser essenciais para evitar que o ecrã de um telemóvel se transforme numa porta aberta para o crime.



