Estamos, de forma clara e inequívoca, a entrar naquela fase de animosidade política em que o Partido Socialista e o Chega começam, timidamente mas com persistência, a testar o terreno. Medem as águas, avaliam o vento e tentam perceber qual é a permeabilidade do país à ideia absurda de eleições antecipadas.
Desde a eleição de António José Seguro para a Presidência da República que o PS sentiu esse momento como o hélio necessário para encher um balão que tinha perdido irremediavelmente o gás e a altura. Por outro lado, André Ventura também se sentiu validado para testar as margens do sistema. No fim de contas, caímos todos de paraquedas num novo paradigma: o de tentar desgastar o Governo ao máximo através dos comentadores de telejornal. Sim, os mesmos de sempre. Aqueles que mantêm ligações históricas e cordiais com o PS e com o PCP, e que transformam as pantalhas da noite numa espécie de tribunal permanente contra quem está a tentar trabalhar.
Somando-se a isto, assistimos às batalhas veladas. Aquelas que não dão abertura de telejornal, mas que minam o terreno através de presidentes de câmara esquerdinos, de líderes associativos formatados, de algumas ordens profissionais, sindicatos de fação e certas academias universitárias. São muitos anos de implantação institucional. Mesmo com o PS relegado para terceiro lugar, a verdade é que os yes men (e women) continuam todos lá, estrategicamente colocados em lugares de destaque, prontos para fazer a manobra de reanimação cardiorrespiratória a um partido que saiu nocauteado das urnas.
O Ruído da Bolha vs. A Realidade dos Factos
No meio deste turbilhão artificial, criado nos gabinetes do Rato e de São Bento apenas para moldar perceções e fabricar crises, é preciso parar, respirar e pedir um voto de confiança ao Primeiro-Ministro Luís Montenegro.
O Governo está a fazer o que pode — e isso é perfeitamente percetível para quem olha para a vida real e não para o Twitter.
- Habitação: As políticas avançaram, desbloquearam-se as amarras ideológicas que asfixiavam o mercado e devolveu-se alguma previsibilidade a quem quer casa.
- Legislação Laboral: A nova proposta vai no caminho certo para o país, apesar de todo o esforço concertado da esquerda para transformar o diálogo social numa crise política artificial. Esta reforma é fundamental para o futuro, para garantir salários mais altos, para fazer o país crescer bem e para nos mantermos sólidos.
- Contas Certas: Assistimos à diminuição contínua da dívida pública e, pasme-se, a alguma paz social, apesar de todos os movimentos e rasteiras da oposição.
- Economia Real: O país está, gostem ou não de admitir, em pleno emprego.
Ainda há muito por fazer? Claro que há. Mas o caminho faz-se caminhando, e não caindo no jogo eleitoralista e infantil da bolha política lisboeta. Existem passos concretos dados na direção certa, na rota do bom senso e na tentativa honesta de deixar um legado positivo. E isto, convenhamos, é uma raridade absoluta na nossa democracia, especialmente quando estamos a falar de um Governo que governa sem o conforto de uma maioria absoluta.
O Pragmatismo Necessário
O Governo não pode ir tão longe como os mais liberais gostariam? Com certeza que não. Mas não vai porque esse nunca foi, nem é, o seu programa de governação.
Luís Montenegro sabe perfeitamente o país que governa. Conhece a realidade profunda de Portugal, as suas assimetrias, o seu conservadorismo social e as suas fragilidades estruturais. Ele não vai fazer um “choque à Javier Milei” — mesmo que muitos de nós, que defendemos a liberdade económica total, piscássemos o olho a essa audácia. Mas o Primeiro-Ministro também não vai deixar de mexer onde é urgente mexer: na burocracia que asfixia, nas regras estúpidas que só atrapalham a vida de quem produz, de quem quer criar valor, trabalhar e prosperar legitimamente em Portugal.
É preciso olhar para as coisas com um senso crítico correto e isento. Temos de comparar o antes e o agora e perceber se, aos poucos, não estamos mesmo a conseguir melhorar a nossa realidade tangível.
Isto ganha ainda mais valor numa altura em que somos todos diariamente pressionados por fatores externos, pelo preço da energia, pelas oscilações do petróleo e pela inflação herdada. Apesar de todas estas dificuldades, Portugal e o seu povo estão a trabalhar. Estão a fazer o que deve ser feito. E o Governo, com serenidade e sem a arrogância do passado recente, está a acompanhar esse momento, atuando com a ambição clara de deixar um país significativamente melhor do que aquele que encontrou quando entrou pela porta de São Bento. Isto é um facto inegável.
O pragmatismo têm de se sobrepor ao taticismo
Ninguém pede cheques em branco, nem a política deve ser um ato de fé cega. Mas há momentos na história de uma nação em que o patriotismo e o pragmatismo têm de se sobrepor ao taticismo partidário de quem tem pressa em voltar ao pote.
Luís Montenegro tem demonstrado uma resiliência invulgar, uma liderança de veludo mas com punho de ferro quando necessário, governando para os portugueses e ignorando o ruído dos comentadores de serviço. O caminho seguido é o correto, é o caminho do equilíbrio e da estabilidade que o país tanto pedia. Romper este ciclo agora, por mero capricho de uma oposição que ainda não digeriu a derrota, seria um crime de lesa-pátria.



