Portugal entra em mais uma época crítica de incêndios com um reforço de meios humanos, equipamentos e financiamento aos bombeiros, garantiu o Governo durante as comemorações do Dia Nacional do Bombeiro, realizadas em Paredes.
A cerimónia serviu também para destacar o papel dos mais de 30 mil bombeiros portugueses e anunciar novas medidas na área da emergência médica.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, assegurou que o país está mais preparado para enfrentar os meses de maior risco.
“Temos mais meios humanos e materiais e, pela primeira vez, uma estrutura criada especificamente para responder a situações de exceção”, afirmou o governante, sublinhando o trabalho realizado nos 26 concelhos mais afetados pelos incêndios dos últimos anos.
Durante a intervenção, o ministro fez questão de homenagear os bombeiros portugueses, considerando-os a “espinha dorsal” do sistema de proteção civil.
“São mais de 30 mil homens e mulheres, distribuídos por mais de 450 corporações, que chegam primeiro, assumem riscos e muitas vezes colocam a própria vida em perigo para proteger os cidadãos”, destacou.
Bombeiros recebem reforço na emergência médica
Também presente na cerimónia, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, anunciou um aumento do financiamento dos postos de emergência médica assegurados pelos bombeiros.
A partir de 1 de julho, os 520 postos de emergência médica existentes no país terão uma atualização de financiamento de 23%, depois de já terem beneficiado de uma subida de 31% em 2025.
Segundo a governante, os bombeiros representam cerca de 90% da capacidade operacional do Sistema Integrado de Emergência Médica.
“Sem bombeiros não há sistema integrado de emergência médica”, afirmou, acrescentando que estes profissionais garantem uma capilaridade territorial que nenhuma outra entidade consegue assegurar.
Ana Paula Martins reconheceu ainda que existe uma suborçamentação histórica dos bombeiros e assumiu o compromisso de continuar a reforçar o apoio financeiro ao setor durante a legislatura.
Liga dos Bombeiros diz que corporações estão preparadas
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, mostrou confiança na capacidade de resposta das corporações para o verão de 2026.
Segundo o dirigente, as reuniões realizadas com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil permitiram corrigir alguns dos problemas identificados em anos anteriores.
“Os bombeiros estão preparados para enfrentar mais um período difícil. Houve preocupações que apresentámos e que foram ouvidas pelo Ministério da Administração Interna”, afirmou.
António Nunes destacou ainda que os bombeiros continuam a ser “os primeiros a chegar” às ocorrências e que a sua ligação às comunidades permanece uma das maiores forças do sistema de socorro nacional.
Comunicações e equipamentos reforçados
Entre as medidas anunciadas pelo Governo estão também investimentos em sistemas de comunicações, equipamentos de energia, tecnologia satélite e recuperação de material destruído pelas recentes tempestades.
Luís Neves garantiu que o sistema de comunicações de emergência está a ser reforçado e pediu confiança na capacidade de resposta da proteção civil para os próximos meses.
Num verão que se prevê exigente devido às condições meteorológicas e ao risco acrescido de incêndio rural, Governo, bombeiros e proteção civil dizem estar alinhados no objetivo principal: proteger vidas, bens e território.




