A instalação de uma unidade de aquacultura em Viana do Castelo acaba de dar um passo decisivo. A multinacional Stolt Sea Farm prevê investir cerca de 10 milhões de euros no concelho, num projeto que inclui a construção de uma nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) totalmente financiada pela empresa.
A proposta foi aprovada em reunião do executivo municipal, com votos favoráveis do PS e da coligação PSD/CDS e a abstenção do Chega. Em causa está a constituição de um direito de superfície sobre terrenos municipais na zona de Aguieira, entre as freguesias de Vila Nova de Anha e Chafé, para instalação da unidade de piscicultura.
Além do investimento inicial, a empresa compromete-se a pagar uma renda mensal de seis mil euros à Câmara Municipal durante 50 anos, o que representa uma receita contínua relevante para o município.
Nova ETAR sem encargos públicos
Um dos pontos centrais do projeto é a construção de uma nova ETAR, avaliada em 1,4 milhões de euros, que será totalmente suportada pela Stolt Sea Farm. Esta infraestrutura surge como solução para libertar terrenos atualmente concessionados à Águas do Norte, permitindo avançar com o projeto industrial.
Segundo o presidente da autarquia, Luís Nobre, trata-se de uma operação vantajosa para o concelho.
“É um dois em um: melhora-se a tecnologia e eficiência do sistema de tratamento de águas, sem custos para o erário público”, sublinhou.
A nova ETAR não servirá apenas a empresa, mas também parte da população do concelho, funcionando em complemento com a infraestrutura já existente, que se manterá em operação.
Processo longo, mas com urgência no setor
Apesar da aprovação, o avanço do projeto não será imediato. O autarca admite que a concretização poderá demorar oito anos ou mais, sendo que o município acompanha este investimento há cerca de cinco anos.
Ainda assim, há pressão para acelerar. A empresa demonstra agora maior urgência em avançar, num contexto de crescente procura no setor alimentar.
“Há efetivamente necessidade em termos da cadeia alimentar”, referiu Luís Nobre.
Impacto económico e estratégico
O projeto posiciona Viana do Castelo como um polo emergente na aquacultura em Portugal, num setor considerado estratégico para responder à procura global por proteína sustentável.
Para o município, o negócio traduz-se em investimento privado significativo, receita garantida a longo prazo e modernização de infraestruturas ambientais, sem encargos diretos para os cofres públicos — um argumento central para justificar o avanço do projeto.




