Falta de especialistas durante noites e fins de semana está a gerar tensão. Administração rejeita críticas e fala em alarmismo.
Um grupo de cirurgiões do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto está a expor fragilidades no funcionamento dos serviços, sobretudo fora do horário normal. Em causa está a falta de especialistas durante noites, fins de semana e feriados, situação que já levou 23 médicos a apresentarem escusas de responsabilidade.
Segundo o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), os profissionais estão a ser chamados para assegurar áreas como urologia e otorrinolaringologia, sem terem competência técnica específica para tal. A denúncia levanta dúvidas sérias sobre a segurança clínica e a organização dos cuidados prestados.
Os cirurgiões recusam assumir funções fora da sua área e alertam que não têm condições para tratar doentes internados dessas especialidades. Na prática, dizem, estão a ser colocados em situações de risco, tanto para os doentes como para os próprios médicos.
Administração rejeita críticas
A administração do IPO do Porto contesta a leitura do sindicato e garante que não houve qualquer escusa formal de responsabilidade, mas sim declarações de exercício sob reserva técnica. Considera que a polémica resulta de uma “interpretação incorreta e alarmista” da situação.
Ainda assim, o conflito expõe um problema estrutural: a ausência de todas as especialidades médicas em permanência no Serviço Nacional de Saúde. O IPO admite que não dispõe de urgência geral e que segue o modelo da Área Metropolitana do Porto, onde algumas especialidades estão concentradas noutros hospitais, como o São João.
Doentes internados no centro da polémica
O ponto crítico está nos doentes internados. Em situações de urgência fora de horas, são frequentemente os cirurgiões gerais a responder, mesmo em casos que não são da sua área. O sindicato considera esta prática inaceitável e exige mudanças imediatas.
A denúncia já foi enviada à Ordem dos Médicos e às entidades do setor, incluindo o Ministério da Saúde e a direção executiva do SNS. Até ao momento, não houve resposta pública.
O caso está a aumentar a pressão sobre o Governo e volta a expor falhas na organização dos serviços hospitalares, num momento em que o SNS enfrenta dificuldades crescentes na retenção de profissionais.




