Romaria minhota no alto da freguesia de Valdreu repete ritual que recua ao século XVII para pedir a proteção e saúde do gado e animais de companhia
O pitoresco lugar de Mixões da Serra, localizado no topo da freguesia de Valdreu, no concelho de Vila Verde, voltou a ser o palco de uma das manifestações etnográficas e religiosas mais singulares do Minho: a secular Bênção dos Animais. A cerimónia decorreu no passado domingo, dia 7 de junho de 2026, atraindo centenas de criadores, pastores e proprietários a mais de 750 metros de altitude.
O evento, que alia a fé católica às raízes profundamente rurais da região, transformou o largo do santuário de montanha num recinto repleto de cor e atividade. Em nota oficial, a Câmara Municipal de Vila Verde destacou o impacto do momento para a coesão identitária do território:
“Entre gado bovino, cavalos, cães, gatos, aves e outros animais, a cerimónia reuniu a comunidade num momento de fé, devoção e valorização das tradições que passam de geração em geração.”
Uma promessa ao Santo António que nasceu no século XVII
A mítica Bênção dos Animais de Mixões da Serra é uma tradição devocional cujo registo histórico recua até ao século XVII. O ritual cumpre-se escrupulosamente todos os anos no domingo anterior ao dia 13 de junho, data em que se assinala a solenidade litúrgica de Santo António.
De acordo com a memória popular e as lendas que moldaram a romaria, o culto nasceu na sequência de uma peste que assolou gravemente as pastagens e o gado daquela região serrana. Os pastores locais prometeram erguer um templo e benzer os seus rebanhos anualmente caso o santo protetor travasse a doença. Desde então, a crença dita que a passagem dos animais pelo aspersório do pároco garante:
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A proteção geral contra acidentes e predadores na serra;
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A saúde física das espécies pecuárias e domésticas;
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A fartura e qualidade de bons produtos agrícolas derivados, como o leite, a carne, a lã ou os ovos.
O desfile e a simbiose entre o rural e o urbano
A jura antiga mantém-se viva no calendário minhoto. Nas primeiras horas da manhã de domingo, os caminhos de montanha viram serpentear juntas de vacas de raça barrosã e cachena, garranos bravos descidos dos montes e cavalos de sela, todos engalanados com fitas coloridas e ladeados por cães de gado, gatos e aves em gaiolas.
A par dos rebanhos comunitários e da atividade agropecuária tradicional, o evento tem registado nos últimos anos uma forte afluência de famílias urbanas, que viajam até ao alto de Valdreu com o intuito de submeter os seus animais de estimação e companhia ao tradicional banho de água benta.
Os devotos, criadores de gado e turistas que queiram aceder à galeria fotográfica completa da romaria, consultar os roteiros pedestres de montanha ou conhecer o património religioso do concelho podem visitar a página oficial de turismo do Município de Vila Verde.






