No debate promovido pela Fundação Mestre Casais, o autarca bracarense alertou que desafios como a habitação, a mobilidade e a Alta Velocidade exigem soluções que ultrapassam as fronteiras municipais
O presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, defendeu publicamente que o forte crescimento demográfico, económico e urbano da região não pode ser planeado de forma isolada por cada concelho. Durante a sua intervenção no debate “Olhar o futuro a partir do Pentágono Urbano do Minho – o olhar a partir das autarquias”, realizado na Reitoria da Universidade do Minho, o autarca assumiu como meta prioritária a futura criação de uma Área Metropolitana do Minho.
O evento, promovido pela Fundação Mestre Casais, juntou no mesmo painel os líderes executivos de Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Viana do Castelo e um representante de Barcelos para discutir o ordenamento e o desenvolvimento do território minhoto.
O plano de expansão urbana de Braga
João Rodrigues evidenciou os indicadores macroeconómicos e demográficos que colocam Braga na vanguarda do crescimento nacional, destacando o rejuvenescimento da população e o peso crescente do concelho nas exportações. Para responder a esta dinâmica, o autarca recordou o enquadramento urbanístico em curso na cidade:
- Disponibilização de território: Mais de 1.500 hectares direcionados para construção;
- Zonas de expansão: Ativação de 122 áreas de expansão para habitação e fixação de empresas;
- Sedes sociais: O executivo está a negociar com várias empresas que já operam em Braga para que transfiram formalmente as suas sedes fiscais para o concelho.
Contudo, o autarca bracarense deixou um alerta claro: “O desafio não é apenas crescer. É crescer bem e assegurar que esse crescimento melhora a vida das pessoas”, frisando que o investimento imobiliário e económico tem de ser obrigatoriamente acompanhado por novas redes de transportes, equipamentos sociais e serviços públicos.
Infraestruturas e a chegada da Alta Velocidade
Para o presidente da Câmara de Braga, os problemas quotidianos das populações já não se enquadram nas divisões administrativas tradicionais. Fenómenos como os movimentos pendulares diários de trabalhadores provam que a interdependência vai muito além do chamado “Pentágono Urbano”.
“A mobilidade, a habitação, as infraestruturas ou o acesso à alta velocidade não conhecem fronteiras administrativas. Os problemas das pessoas exigem soluções construídas à escala da região”, afirmou João Rodrigues.
Um dos pontos de viragem identificados foi a futura estação de comboios de Alta Velocidade em Braga. O autarca considerou urgente preparar, de forma conjunta e articulada, o impacto transformador que esta grande infraestrutura ferroviária terá nas dinâmicas de transporte e turismo de todo o Minho.
Uma visão pragmática para a cooperação intermunicipal
Apelando ao pragmatismo político, João Rodrigues sublinhou que a criação de uma Área Metropolitana do Minho não visa anular a autonomia ou a identidade de cada município, mas sim multiplicar a sua capacidade de influência à escala nacional e europeia.
Ao atuar em bloco, defende o edil, as autarquias minhotas ganharão uma escala e uma dimensão muito superiores para negociar fundos comunitários, atrair grandes investimentos industriais estrangeiros e executar projetos estruturantes de mobilidade que melhorem, de forma sustentável, a qualidade de vida das populações.



