A Operação Hermes mobiliza perto de mil inspetores em 250 buscas de norte a sul do país. Estão previstas mais de duas dezenas de detenções num esquema internacional de venda simulada de telemóveis que lesou o erário público em mais de 100 milhões de euros.
A Polícia Judiciária (PJ), em articulação com a Autoridade Tributária e Alfandegária (AT), desencadeou esta quarta-feira, 7 de outubro, uma das maiores operações do ano de combate à criminalidade económica e financeira. Batizada de Operação Hermes, a ao visa desmantelar uma rede criminosa associada ao esquema fraudulento conhecido como “carrossel do IVA”, com um prejuízo estimado para o erário público superior a 100 milhões de euros.
O dispositivo no terreno mobiliza 700 inspetores da PJ e 300 elementos do Fisco, cumprindo cerca de 250 mandados de busca, dos quais 150 em instalações empresariais, além de domicílios e escritórios de advogados, espalhados por todo o território nacional, com especial incidência nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa.
A investigação, sob a alçada da Procuradoria Europeia e liderada pelo procurador José Ranito, incide sobre dois inquéritos conexos. Em causa estão crimes de associação criminosa, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. A rede operava através da circulação simulada e sucessiva de milhares de equipamentos de telecomunicações e telemóveis entre empresas sediadas em vários países da União Europeia, recorrendo a sociedades-fantasma (“empresas fantoche”) criadas com o propósito de não liquidar o imposto devido ou obter reembolsos indevidos de IVA.
A ação de combate à fraude decorre de forma simultânea noutros Estados-Membros afetados pelas ramificações financeiras do grupo. Em Portugal, os suspeitos e detidos no decurso dos mandados serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação.













