Uma arquiteta brasileira a viver há oito anos em Famalicão foi surpreendida com uma ordem para abandonar Portugal, emitida pela Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA), apesar de ter empresa aberta, casa própria e filhos a estudar no país.
Cleanne Carvalho, residente na freguesia de Joane, recebeu no passado dia 7 de abril um e-mail a indicar que deveria sair do território nacional. A decisão baseia-se, segundo a AIMA, na alegada falta de meios de subsistência e de habitação— uma justificação que contrasta com a realidade apresentada pela própria.
A arquiteta garante ter uma atividade profissional ativa, com empresa na área da arquitetura, além de ser proprietária da habitação onde vive. Tem ainda dois filhos a frequentar o ensino superior e uma filha de sete anos já nascida em Portugal.
“Fiquei sem chão. Senti-me desrespeitada. Estou organizada, trabalho, tenho a minha vida aqui”, afirmou em declarações televisivas.
Na origem do processo estará a situação documental. O título de residência caducou em fevereiro de 2025, mas a arquiteta alega não ter conseguido renová-lo devido à falta de resposta da AIMA, apesar de várias tentativas.
Acrescenta ainda que tem um pedido de nacionalidade pendente há cerca de três anos, também sem qualquer decisão.
Perante a ordem de saída, Cleanne Carvalho avançou com um recurso judicial, tentando travar a decisão e regularizar a sua situação.
O caso levanta novas dúvidas sobre o funcionamento da AIMA e os atrasos nos processos de regularização de imigrantes em Portugal, numa altura em que se multiplicam queixas sobre demoras e falhas administrativas.




