Barcelos está a reforçar a defesa da floresta com operações no terreno e já merece destaque a nível nacional.
O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, acompanhou esta sexta-feira uma ação de fogo controlado no Monte do Crasto, em Aldreu, e não deixou dúvidas: o que está a ser feito no concelho pode servir de modelo para o país.
A operação integra o plano municipal de prevenção e teve um objetivo direto — reduzir o risco de incêndios rurais através da gestão de combustível e organização do território florestal. No terreno, foram criadas zonas de compartimentação que ajudam a travar a propagação das chamas em caso de ignição.
Mas não é só prevenção. A intervenção permite também renovar pastagens e melhorar os ecossistemas locais, numa lógica de gestão ativa da floresta que ganha cada vez mais peso face às alterações climáticas.
Durante a visita, Rui Ladeira foi claro: “ações como o fogo controlado são essenciais para aumentar a resiliência dos territórios”, sublinhando ainda a importância da cooperação entre autarquias, Estado e agentes locais. O governante classificou o trabalho em Barcelos como “um exemplo a nível nacional”.

O Governo tem vindo a reforçar os meios no terreno, incluindo 419 sapadores florestais no Cávado, apoiados com cerca de 32 milhões de euros, além de novos equipamentos como máquinas de rastos e destroçadores para intervenção florestal.
Do lado do município, os números mostram uma aposta consistente. Desde 2018, Barcelos executou cerca de 2.491 hectares de fogo controlado e quer agora duplicar essa área já em 2026.
O presidente da Câmara, Mário Constantino Lopes, destacou a importância da prevenção num território onde 40% da área é florestal, o que aumenta o risco em períodos críticos. “Estamos a preparar o concelho para responder melhor às emergências futuras”, afirmou.
O autarca reconhece, no entanto, um novo desafio: a imprevisibilidade climática. Fenómenos extremos estão a alterar o comportamento dos incêndios, tornando a prevenção ainda mais decisiva.
No terreno estiveram várias entidades, desde bombeiros às equipas de sapadores, GNR e associações locais, numa operação coordenada pela Proteção Civil municipal.
O sinal é claro: a luta contra os incêndios começa muito antes das chamas — e Barcelos quer estar na linha da frente.




