A escassos dias da primeira volta das presidenciais no Brasil, os dois principais candidatos, Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), continuam a disputa voto a voto, registando um empate técnico com diferenças dentro da margem de erro. A análise é do Instituto Quaest, que fez um panorama nacional desta renhida disputa.
Segundo o Instituto, nesta última semana antes da primeira volta, Lula surge à frente em 11 dos 27 estados brasileiros, enquanto Flávio Bolsonaro lidera em nove. Nos sete restantes — incluindo o Rio de Janeiro e Minas Gerais, o segundo e terceiro maiores círculos eleitorais do país — regista-se um empate dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
Dos 11 estados onde Lula lidera, nove estão no Nordeste, o seu habitual reduto eleitoral, com destaque para o Piauí (+39 pontos), Maranhão (+37) e Pernambuco (+36). Já Flávio Bolsonaro lidera em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, em dois dos três estados do Sul, em três estados do Norte e em outros três do Centro-Oeste.
A sondagem nacional do Quaest reflete a polarização. Na primeira volta, Lula surge com 39% das intenções de voto, contra 34% de Flávio. Na segunda volta, marcada para 25 de outubro, há um empate absoluto, com 42% para cada um.
Neste cenário, a disseminação de uma notícia falsa alegando que Flávio, se eleito, retiraria o título de Padroeira do Brasil a Nossa Senhora Aparecida parece ser o único assunto com potencial para desequilibrar o empate. A fake news, cuja divulgação já foi proibida por dois juízes e autorizada por outro, teve 8,5 milhões de interações nas redes sociais nos últimos dias, podendo ter efeito decisivo junto dos 121 milhões de católicos no país.
Entretanto, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ingerências indevidas de juízes em assuntos da alçada da justiça eleitoral, alertando para o risco de erosão democrática.















