O Infarmed acolhe, pela primeira vez, uma bolseira de doutoramento financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em contexto não académico.
A investigadora Margarida Perdigão está a desenvolver um projeto na área da Farmacovigilância, centrado na promoção da notificação espontânea de suspeitas de reações adversas a medicamentos (RAM) por parte dos cidadãos portugueses.
A bolseira, mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade do Algarve e com pós-graduação em Ciclos de Vida do Medicamento e do Dispositivo Médico pela Universidade de Évora, iniciou em 2024 o Doutoramento em Farmácia na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, após um percurso profissional ligado à farmacovigilância regional.
“É uma honra enorme e uma grande responsabilidade ser a primeira bolseira de doutoramento da FCT, em contexto não académico, com a instituição de acolhimento Infarmed”, afirma Margarida Perdigão.
A investigadora sublinha que esta oportunidade permite aproximar a investigação académica da realidade regulatória, com impacto direto na saúde pública. Destaca ainda o apoio da Direção de Gestão do Risco de Medicamentos (DGRM) e a colaboração dos orientadores académicos como elementos decisivos para o avanço do projeto.
O trabalho está estruturado em quatro fases, com o objetivo de identificar e implementar intervenções eficazes que capacitem os cidadãos para notificarem suspeitas de RAM. A meta, segundo a investigadora, é clara: melhorar a literacia em farmacovigilância e aumentar a participação da população na notificação espontânea.
A primeira fase já foi concluída: uma revisão sistemática, premiada no Dia da Farmacovigilância 2025, que analisou intervenções destinadas a melhorar este tipo de reporte.
Dos 15 estudos incluídos, a maioria demonstrou aumento das notificações, especialmente através de abordagens educativas, tecnológicas e de sensibilização, muitas delas lideradas por farmacêuticos.
Atualmente, Margarida Perdigão está a desenvolver um estudo transversal multinacional junto de Autoridades Nacionais Competentes da Rede Europeia e associações de doentes, além de preparar um estudo observacional na região de Évora. Entre os principais problemas identificados está a subnotificação, causada por baixa literacia, desconhecimento dos mecanismos e formulários considerados complexos.




