A tradicional Procissão do Senhor dos Passos voltou este domingo a percorrer as ruas da freguesia de Fiscal, no concelho de Amares, num momento marcado pela forte carga emocional e simbólica, ainda que com menor adesão de fiéis face a anos anteriores.
A celebração, integrada no Domingo de Ramos, teve início pelas 16h00 na Capela de São Bento das Pedras, seguindo depois um percurso emblemático pela Rua de São Bento, Avenida do Rio Homem, Avenida da Igreja e Largo da Igreja. O ponto alto voltou a ser o Sermão do Encontro, evocando o momento em que Maria encontra Jesus a caminho do Calvário — um dos episódios mais marcantes da tradição cristã e que, em Fiscal, continua a reunir atenção e silêncio respeitoso.
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Apesar da beleza cénica e da envolvência espiritual, a procissão decorreu com uma afluência abaixo do habitual, tanto de habitantes como de visitantes, num sinal que não passa despercebido numa das manifestações religiosas mais identitárias da região.

O cortejo integrou dezenas de figurantes que recriaram quadros bíblicos, incluindo personagens como Verónica, Madalena, São João Evangelista e as Mulheres de Jerusalém, além dos tradicionais guiões, irmandades e andores do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores. A presença do farricoco, figura icónica encapuçada, voltou a marcar o ritmo do percurso.
Outro momento de destaque ocorreu junto à Igreja Paroquial de São Miguel, onde foi proferido o Sermão do Calvário, pelo padre Manuel de Brito Ferreira, num cenário que conjuga património religioso e paisagem natural. O percurso incluiu ainda passagem pelo cemitério paroquial, onde está sepultado António Variações, figura maior da cultura portuguesa.
A componente musical esteve a cargo da Sociedade Filarmónica de Vilarchão, dirigida pelo maestro Lourenço Cruz, que apresentou um repertório de marchas fúnebres e peças clássicas interpretadas com rigor e forte presença de jovens músicos.

Entre as entidades presentes estiveram representantes da autarquia de Amares e da Junta de Freguesia de Fiscal, reforçando o carácter institucional do evento.
Num tempo em que muitas tradições enfrentam desafios de continuidade, a procissão de Fiscal mantém-se como um símbolo vivo da identidade local, ainda que confrontada com sinais claros de mudança na participação da comunidade.
c/ Carlos Manuel Dobreira







