A política externa de um país não deve ser um palco para exibições de narcisismo ideológico, mas sim um exercício de realismo e salvaguarda dos interesses nacionais.
Infelizmente, o atual governo socialista espanhol parece ter esquecido esta premissa básica. Ao travar o uso das bases de Rota e Morón para operações estratégicas dos nossos aliados, o Primeiro-Ministro de Espanha põe em causa a relevância da Espanha como membro da NATO.
Um Aliado não Fiável
A decisão de Pedro Sánchez de obstruir a logística norte-americana num momento de tensão crítica no Médio Oriente não é um ato de “soberania”, mas sim de profunda imprevidência. Ao comportar-se como um aliado de conveniência — o que a administração americana já classificou como falta de compromisso com a segurança coletiva — Madrid envia um sinal perigoso: o de que a Espanha não é um parceiro de confiança nas horas de necessidade.
A segurança da Aliança Atlântica baseia-se na previsibilidade. Quando Sánchez utiliza infraestruturas militares partilhadas como moeda de troca política para satisfazer as franjas radicais da sua coligação, ele não está apenas a irritar Washington; está a esvaziar o peso diplomático de Espanha em todas as mesas de decisão internacionais.
O Papel da oposição: É Hora de Responsabilidade e Clarificação
Perante este cenário de isolamento, a responsabilidade da oposição torna-se urgente. Não basta ao Partido Popular (PP) e ao VOX limitarem-se à crítica retórica ou ao aproveitamento do desgaste governamental. É necessária uma clarificação absoluta e uma postura de Estado que tranquilize os nossos aliados.
Ao PP exige-se liderança: O partido de Alberto Núñez Feijóo tem de apresentar um plano alternativo claro. É preciso que o PP afirme, sem ambiguidades, que sob a sua governação a Espanha voltará a ser um pilar fiável da NATO, garantindo que os acordos bilaterais com os EUA serão respeitados escrupulosamente. O “equilíbrio” não pode servir de desculpa para a passividade.



