Apesar da intensificação dos ataques de EUA e Israel ao Irão com a base das Lajes a ser pilar no “abastecimento”, a relação entre Lisboa e Teerão mantém‑se cordial.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, tem sublinhado que Portugal apela à resolução pacífica das diferenças e que autorizações para a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos são dadas no âmbito do tratado bilateral, sempre com recurso à via diplomática.
O embaixador iraniano em Lisboa, Majid Tafreshi, reforçou esta postura ao garantir que a Base das Lajes, nos Açores, “não está na mira” das forças iranianas. O diplomata justificou a ausência de hostilidades com as boas relações entre Lisboa e Teerão e acrescentou que Teerão continua a defender o seu território, mas prefere negociações à guerra.
Para Portugal, que é membro da NATO mas mantém canais abertos com o Irão, este entendimento representa uma forma de equilibrar os compromissos atlânticos com uma diplomacia de diálogo.
Destaque para as relações luso‑iranianas
Portugal e Irão mantêm contactos diplomáticos desde meados do século XX, com visitas parlamentares, cooperação cultural e trocas comerciais.
A garantia do embaixador de que a Base das Lajes não será atacada demonstra confiança mútua num momento em que drones e mísseis iranianos atingem outras bases estrangeiras no Médio Oriente.
Sublinhar estas “boas relações” entre Lisboa e Teerão é essencial, pois revela a capacidade de Portugal de actuar como interlocutor moderado no contexto regional.
Escalada de violência no Médio Oriente
Israel e os Estados Unidos intensificaram, no início de março de 2026, a campanha militar contra o Irão. De acordo com Reuters, a ofensiva aérea já atingiu mais de 1 250 alvos iranianos e resultou na destruição de 11 navios pertencentes às forças iranianas.
A operação visa infra‑estruturas ligadas à segurança e aos programas de mísseis e drones, e tem provocado inúmeras vítimas civis; relatos de Tabriz descrevem explosões que atingiram hospitais e bairros residenciais.
O conflito rapidamente se espalhou para outros países. O Hezbollah, milícia xiita aliada do Irão, lançou mísseis e drones contra Israel a partir do Líbano, alegando tratar‑se de uma resposta à morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei.
Em retaliação, a força aérea israelita bombardeara as zonas controladas pelo Hezbollah em Beirute e noutras regiões do Líbano, provocando pelo menos 31 mortos e 149 feridos, segundo a agência noticiosa nacional libanesa.
A imprensa regional acrescenta que os ataques atingiram áreas da capital libanesa, a região da Bekaa e dezenas de aldeias do sul, obrigando a deslocações massivas.




