José Sócrates voltou a mudar de defesa no processo da Operação Marquês.
O ex-primeiro-ministro escolheu a advogada Sara Moreira, a quarta a assumir a sua representação, que irá requerer ao tribunal mais tempo para preparar a defesa, invocando a dimensão e complexidade do processo.
Num requerimento, Sócrates informa o tribunal de que passou uma terceira procuração à nova mandatária. No mesmo documento, é antecipado que a advogada pedirá prazo adicional, sustentado no direito dos arguidos a disporem do “tempo e dos meios necessários para a preparação da defesa”, conforme previsto na Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
O antigo líder do Governo faz questão de sublinhar que esta é a quarta escolha para o representar, depois da morte do advogado João Araújo e das renúncias de Pedro Delille e José Preto.
Sócrates rejeita qualquer responsabilidade nas sucessivas alterações e critica a leitura feita pelo tribunal, que tem classificado os episódios como incidentes de natureza dilatória.
“Nem é verdade, nem é justo”, escreve, acrescentando que também aqui se considera “inocente”, numa referência direta às suspeitas de manobras para atrasar o julgamento.
A mais recente mudança surge depois de José Preto ter abandonado a defesa, na sequência da recusa do tribunal em suspender o julgamento. O advogado tinha pedido cinco meses e meio para analisar o processo, pedido que foi indeferido pela juíza Susana Seca.
O seu internamento hospitalar, devido a uma pneumonia, levou mesmo à nomeação de uma advogada oficiosa, Ana Velho, para evitar novas interrupções.
Sócrates criticou publicamente essa representação, acusando a defensora de não contestar prazos que considerou irrealistas, nomeadamente cinco dias para consultar um processo com cerca de 300 mil páginas e 400 horas de gravações.
Com 68 anos, José Sócrates está pronunciado por 22 crimes, incluindo três de corrupção, relacionados com alegados benefícios concedidos ao Grupo Lena, ao GES e ao empreendimento Vale do Lobo.
O processo envolve 21 arguidos e 117 crimes económico-financeiros, praticados entre 2005 e 2014, alguns dos quais poderão prescrever ainda este ano.



