O PCP manifestou preocupação com o despedimento coletivo de 258 trabalhadores na Coindu, em Vila Nova de Famalicão, e defende que o Governo “não pode ficar indiferente” à situação.
O partido considera haver “fundadas evidências” de que se trata de uma deslocalização encoberta, aproveitando apoios públicos.
Em comunicado, o deputado comunista Alfredo Maia questionou a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre as medidas que o Executivo vai adotar para “salvaguardar os postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores”.
O PCP quer ainda saber quanto custou ao Estado o atual processo de ‘lay-off’, que envolveu cerca de 250 funcionários — número semelhante ao agora abrangido pelo despedimento.
Segundo o partido, após a venda do capital social, a nova administração poderá estar a transferir encomendas para fábricas no norte de África, utilizando o ‘lay-off’ como mecanismo para que o Governo português financie parcialmente essa deslocalização.
A Coindu recebeu 3,9 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência.
“Os trabalhadores não podem ser sempre as principais vítimas das opções de gestão da empresa. Falamos de vidas, famílias e compromissos que ficam em suspenso”, sublinha o PCP.
A Coindu, com sede em Joane, justifica a decisão com a “redução acentuada e prolongada das encomendas no setor automóvel”, garantindo que o despedimento é “a solução juridicamente adequada” e que “todos os esforços foram feitos para evitar esta medida”.
A empresa emprega atualmente cerca de 1.050 pessoas.
Este é o segundo despedimento coletivo da Coindu em 2025. Em maio, foram dispensados 123 trabalhadores e outros 237 ficaram em ‘lay-off’. No final de 2024, a empresa encerrou a fábrica de Arcos de Valdevez, deixando sem emprego 350 pessoas.



