Com o Natal a aproximar-se, é difícil não sentir aquela mistura de alegria, gratidão, esperança e renovação que caracteriza esta época.
E é precisamente com esse espírito renovado que penso no que gostaria para este Natal — e para 2026.
Se pudesse escrever uma carta ao Menino Jesus, não pediria embrulhos brilhantes nem presentes discretamente deixados debaixo da árvore. Depois de uma campanha intensa, o que desejo para Barcelos é muito simples de escrever, mas aparentemente difícil de concretizar.
Antes de tudo, pediria coragem coletiva
Coragem para questionar, para não aceitar a eterna desculpa do “sempre foi assim”, e para exigir que o concelho avance, sem medo de enfrentar interesses instalados que travam o desenvolvimento há demasiado tempo.
Mas também pediria algo muito prático: cumprir o que se promete. Barcelos viu, ano após ano, a promessa do novo hospital transformar-se numa espécie de miragem. Tantas vezes anunciado, nunca saiu do papel. Para piorar vê as muitas das suas atuais valências perderem-se. O mesmo acontece com o Mercado Municipal, outro compromisso que continua preso à gaveta — e que, infelizmente, não se transforma em realidade por decreto ou fotografia de cerimónia. Tudo isto foi prometido, mas suspeito que sem a intervenção do Menino Jesus, nada será cumprido. Nada será feito.
Dou por mim a juntar a esta lista um desejo que não devia ser pedido, mas garantido: saneamento básico completo. Em pleno século XXI, ainda há zonas do concelho onde falta o essencial. Um concelho que quer ser moderno não pode deixar comunidades inteiras sem serviços básicos.
E claro, pediria também melhorias na nossa mobilidade, porque o trânsito em Barcelos há muito deixou de ser apenas um incómodo — tornou-se um problema diário que afeta qualidade de vida, produtividade e até a segurança. O acabamento da Circular urbana, se fosse feito hoje era tarde. Agora, lembrem-se que nem previsão de data para conclusão existe.
E já que estamos a falar de desejos realistas, deixo mais um: impostos municipais mais baixos. Barcelos não pode querer atrair famílias e empresas mantendo uma carga fiscal que pesa e que pouco devolve em serviços de qualidade. Uma gestão financeira responsável não serve apenas para equilibrar contas; serve para aliviar quem vive e trabalha aqui.
Por fim, pediria esperança ativa. Não a esperança passiva que espera milagres, mas a que nos faz agir, exigir e construir. Barcelos merece acreditar que pode fazer melhor — e merece líderes que tratem as promessas como compromissos, não como palavras de campanha.
Talvez seja pedir muito ao Menino Jesus. Mas, como aprendi na política, os desejos só se tornam realidade quando deixamos de esperar por milagres e começamos a trabalhar por eles.
E isso, felizmente, está nas nossas mãos.



