O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que visa restringir a participação de grandes investidores institucionais na aquisição de casas unifamiliares, com o objetivo de tornar a habitação mais acessível às famílias americanas.
Denominada “Parar Wall Street de Competir com os Compradores da Main Street”, a medida orienta as agências federais a priorizar compradores individuais e a limitar o apoio federal a transações envolvendo investidores corporativos.
De acordo com a Casa Branca, a ordem executiva cumpre uma promessa de campanha de Trump de “tomar medidas imediatas para impedir que grandes investidores institucionais comprem mais casas unifamiliares”.
Departamentos como o Tesouro, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Agricultura e Assuntos de Veteranos, bem como a Agência Federal de Financiamento Habitacional, terão até 60 dias para emitir orientações que impeçam programas federais de aprovar, garantir ou facilitar a compra de casas unifamiliares por estes investidores.
Trump afirma que empresas de Wall Street, ao adquirirem centenas de milhares de propriedades nos últimos anos, inflacionaram os preços da habitação e dificultaram o acesso à casa própria para compradores de primeira viagem e famílias jovens.
Durante um discurso no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente declarou: “Não nos tornaremos uma nação de inquilinos”, destacando a ordem como parte de uma agenda mais ampla para reduzir as taxas de juro em empréstimos hipotecários e cartões de crédito.
Embora a medida não proíba de forma absoluta a compra de imóveis por investidores institucionais — isentando, por exemplo, empresas que constroem casas para arrendamento —, ela instrui o Departamento de Justiça e a Comissão Federal de Comércio a monitorizarem aquisições suspeitas de práticas anticoncorrenciais. A ordem prevê ainda a elaboração de legislação futura para reforçar estas restrições, garantindo que as casas unifamiliares possam ser adquiridas prioritariamente por famílias.
Especialistas indicam que o impacto direto pode ser limitado, dado que os investidores institucionais detêm apenas cerca de 3% das casas unifamiliares para arrendamento, segundo estudos do Governo. Ainda assim, a medida é considerada simbólica no contexto da crise de acessibilidade habitacional nos EUA, onde os preços das casas subiram significativamente nos últimos anos.



