Desenvolvido pela tecnológica Honor, o robô autónomo completou os 21 quilómetros em pouco mais de 50 minutos, superando em sete minutos a melhor marca histórica registada por um atleta humano
O mundo da tecnologia e do desporto assistiu este domingo, em Pequim, a um momento que redefine as fronteiras da engenharia robótica. No âmbito da Meia-Maratona de Humanoides de Beijing E-Town, um robô desenvolvido pela empresa chinesa Honor completou o percurso de 21 quilómetros no tempo recorde de 50 minutos e 26 segundos. Esta marca é quase sete minutos mais veloz do que o atual recorde mundial humano, detido pelo ugandês Jacob Kiplimo, que fixou o tempo de 57 minutos e 31 segundos.
Inspirado na fisiologia dos atletas de elite, o protótipo vencedor apresenta pernas de aproximadamente 0,95 metros, uma estrutura desenhada para replicar a passada e a eficiência dos corredores de fundo. Para suportar o esforço contínuo e evitar a degradação dos motores, a equipa de engenharia liderada por Du Xiaodi equipou a máquina com um avançado sistema de refrigeração líquida, desenvolvido internamente, que permitiu manter a performance máxima durante toda a prova sem incidentes de sobreaquecimento.
O evento contou com a participação de mais de 100 máquinas, que correram em pistas paralelas aos cerca de 12 mil participantes humanos para garantir a segurança de todos. Um dos grandes desafios da competição residia na autonomia: cerca de 40% dos robôs inscritos utilizaram sistemas de navegação totalmente autónomos, enfrentando obstáculos e as condições reais do traçado sem intervenção remota. Embora um modelo controlado remotamente tenha cruzado a linha de meta em 48 minutos, a vitória oficial foi atribuída ao modelo autónomo da Honor, seguindo as regras de pontuação que privilegiam a independência tecnológica.
Apesar do sucesso estrondoso da Honor, que ocupou os três lugares do pódio, a prova expôs ainda as fragilidades desta tecnologia emergente. Muitos robôs sofreram quedas logo no arranque, colidiram com barreiras ou sucumbiram a falhas de bateria e motores antes de completarem o percurso. Para os responsáveis pela organização, este cenário de competição funciona como um laboratório de testes extremo, semelhante à evolução da indústria automóvel. A fiabilidade estrutural e as inovações térmicas testadas em Pequim deverão ser transpostas, num futuro próximo, para cenários industriais e domésticos, transformando a forma como as máquinas coexistem e colaboram com os humanos.



