Um cargueiro de bandeira dos Países Baixos encontra-se à deriva à saída da barra da Figueira da Foz e corre risco real de naufragar, depois de ter perdido o leme, alegadamente por ter batido no fundo do canal devido à acumulação de areias.
O alerta foi feito esta segunda-feira por fonte da comunidade portuária local.
O navio de carga geral Eikborg, com 89 metros de comprimento, está sem comandos e sem leme, tentando apenas manter-se estável enquanto aguarda a chegada de rebocadores que terão de sair do porto de Leixões ou de Setúbal, já que não existem meios disponíveis nem na Figueira da Foz nem em Aveiro.
Em declarações, Paulo Mariano, vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz, descreveu o cenário como crítico. Segundo o responsável, o comandante está a navegar em marcha-atrás como única forma de tentar controlar o navio, uma manobra que considera “contraproducente”, mas inevitável nas circunstâncias.
“O navio está à deriva. Se começar a meter água na casa das máquinas, pode ir ao fundo. Estamos na iminência de uma tragédia”, avisou, sublinhando o agravamento previsto das condições do mar.
O incidente levou, na prática, ao encerramento total do porto da Figueira da Foz, apesar de a barra estar oficialmente aberta a embarcações com mais de 35 metros.
Os pilotos recusam operar por falta de garantias de segurança, após o Eikborg ter encalhado quando saía do porto, carregado com celulose do grupo Altri — o segundo caso semelhante em apenas dois meses.
Paulo Mariano responsabiliza a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) pelas dragagens que transferiram cerca de três milhões de metros cúbicos de areia, exigindo a intervenção do Ministério Público.



