A tradição voltou a cumprir-se esta segunda-feira em Fiscal, no concelho de Amares, onde centenas de pessoas se juntaram nas margens do rio Homem para assistir a um dos momentos mais marcantes da Páscoa na região: a travessia do compasso pascal em barcas.
O cenário repetiu-se como manda a tradição. Os compassos, acompanhados pela banda de música, cruzaram o rio para ligar os lugares de São Pedro e São Bento, num ritual que continua a atrair população local e visitantes.
A particularidade desta freguesia é única no país. O compasso de Fiscal conta com cinco barcas, utilizadas exclusivamente para este momento, num gesto que junta fé, identidade e património local.
Barcas guardadas dentro de água durante o ano
Um dos aspetos mais curiosos desta tradição está na forma como as embarcações são preservadas. Ao contrário do habitual, os barcos permanecem submersos no fundo do rio durante quase todo o ano.
A explicação é simples e prática: sendo construídos em madeira de pinheiro manso, a exposição prolongada ao sol levaria ao seu desgaste e ao aparecimento de fissuras. Mantê-los dentro de água é, segundo a população local, a única forma segura de garantir a durabilidade das embarcações.

Tradição acontece na segunda-feira — e há uma razão
Outro detalhe que distingue Fiscal é o facto de o compasso pascal não se realizar no domingo, como é habitual em grande parte do país, mas sim na segunda-feira de Páscoa.
A origem desta mudança remonta a um antigo pároco da freguesia, já falecido, que tinha várias paróquias sob a sua responsabilidade. Perante essa realidade, decidiu transferir a celebração em Fiscal para o dia seguinte, criando uma exceção que acabou por se transformar numa tradição enraizada.
Décadas depois, a prática mantém-se intacta e continua a mobilizar a comunidade.
Fé, identidade e turismo local
Mais do que um ato religioso, a travessia do compasso pascal em Fiscal tornou-se um símbolo da identidade local e um momento de forte ligação comunitária.
Ano após ano, o ritual repete-se sem falhas — e, esta segunda-feira, voltou a provar que há tradições que resistem ao tempo.



