Líder socialista de Braga admite desilusão com a Assembleia da República e aponta o dedo ao ambiente político criado após entrada do Chega no Parlamento.
Pedro Sousa não poupou palavras ao descrever o atual ambiente vivido na Assembleia da República. Na entrevista ao programa “Sentido Único”, do E24, o líder da oposição socialista em Braga assumiu estar profundamente desiludido com a experiência parlamentar e deixou críticas duras ao estado da política nacional.
“O Parlamento é hoje um lugar muito feio, muito mal frequentado”, afirmou.
O atual vereador socialista em Braga explicou que a decisão de suspender o mandato parlamentar está diretamente relacionada com o desgaste provocado pelo ambiente vivido no hemiciclo, marcado, segundo disse, por “vuziaria”, “falta de educação”, “bullying” e “condicionamento”.
Pedro Sousa considera que a entrada do Chega alterou profundamente a tradição parlamentar portuguesa e responsabiliza diretamente o partido liderado por André Ventura pela degradação do debate político.
“A entrada do Chega é o grande fator de alteração daquilo que era uma tradição parlamentar, de uma certa gravidade, de uma certa regra”, afirmou.
O socialista recuperou ainda uma frase do antigo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, para ilustrar aquilo que considera ser o atual estado do Parlamento.
“Quando levamos um palhaço para dentro de um palácio, o palhaço não se transforma num príncipe. O palácio transforma-se num circo”, disse, assumindo agora explicitamente a referência ao Chega.
Pedro Sousa revelou também que dificilmente regressará à Assembleia da República quando terminar o período de suspensão do mandato, em julho.
“Posso aqui dizer com um larguíssimo grau de certeza que não devo regressar ao Parlamento”, afirmou.
O líder socialista garantiu estar atualmente “muito focado” em Braga e no trabalho enquanto vereador e líder da oposição municipal, deixando ainda praticamente assumida uma futura candidatura à Câmara de Braga.
As declarações surgem numa altura em que o debate político nacional continua marcado pela crescente tensão parlamentar e pela radicalização do discurso político no hemiciclo.
A entrevista completa integra o programa “Sentido Único”, do E24.



