Líder da oposição socialista em Braga acusa executivo de “anunciar muito e concretizar pouco”, critica gestão da mobilidade, habitação e custo de vida e deixa praticamente assumida a candidatura à presidência da Câmara Municipal.
O líder da oposição socialista em Braga, Pedro Sousa, considera que a cidade vive atualmente “pior em muitas coisas” do que no passado e aponta a mobilidade, a habitação e o custo de vida como os principais falhanços da gestão municipal liderada por Ricardo Rio e agora continuada por João Rodrigues.
Na entrevista conduzida por Nuno Cerqueira no programa “Sentido Único” do E24, Pedro Sousa não poupou críticas ao atual executivo, classificando-o como “muito anunciador”.
“Anuncia muitas coisas, mas concretiza pouco”, atirou, defendendo que a Câmara vive ainda numa fase “periclitante”, marcada por um rumo “errático”, sobretudo na área da mobilidade.
O socialista apontou diretamente ao polémico processo do BRT, considerando que a assinatura do contrato antes das eleições autárquicas foi “uma profunda irresponsabilidade”. Segundo Pedro Sousa, a decisão criou encargos públicos desnecessários depois da mudança de posição do executivo.
“Um dia o BRT era solução central e fundamental, amanhã deixa de ser. E mesmo tendo que se pagar indemnizações já é uma boa decisão anulá-lo”, criticou.
Outro dos temas fortes da conversa foi a habitação. Pedro Sousa defendeu um plano municipal de construção modular para responder à crise habitacional e acusou a autarquia de falta de ação concreta.
“A habitação é o primeiro direito. Ninguém consegue exercer bem os seus direitos se não tiver uma casa para viver”, afirmou.
O líder socialista atacou ainda o aumento de 8% na fatura da água através da AGERE, considerando que a Câmara falhou completamente na mitigação dos efeitos da subida do custo de vida sobre as famílias.
“Houve autarquias a apoiar as famílias. Braga podia perfeitamente ter feito mais”, disse.
Durante a entrevista, Pedro Sousa falou também da saída de Catarina Miranda da bancada socialista, recusando qualquer fragilidade interna no PS Braga e criticando a atual política baseada em “vídeos todos os dias”.
“Política não é cinema”, afirmou.
Num dos momentos mais fortes da conversa, o vereador revelou ainda profunda desilusão com o Parlamento nacional, descrevendo a Assembleia da República como “um lugar muito feio, muito mal frequentado”.
“A entrada do Chega é o grande fator de alteração da tradição parlamentar”, afirmou, citando Augusto Santos Silva: “Quando levamos um palhaço para dentro de um palácio, o palácio transforma-se num circo”.
Pedro Sousa admitiu também que dificilmente regressará à Assembleia da República e garantiu estar totalmente focado em Braga, acumulando ainda a presidência da Associação de Futebol de Braga.
Mas foi já na reta final da entrevista que surgiu a principal revelação política: a possibilidade de avançar para a corrida à Câmara de Braga.
“Não serei recandidato à liderança do Partido Socialista se não for para ser candidato à Câmara de Braga”, afirmou, deixando praticamente assumida a candidatura socialista às próximas autárquicas.
A entrevista completa integra o programa “Sentido Único” do E24.





