Jair Messias Bolsonaro nasceu em 1955 e ainda criança testemunhou o golpe militar de 1964, evento que marcou profundamente sua formação.
Aos 15 anos, em Eldorado (SP), presenciou a caçada ao guerrilheiro Carlos Lamarca e decidiu seguir carreira no Exército. Em 1973 ingressou na Escola Preparatória de Cadetes, em Campinas, e no ano seguinte na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Formou-se em 1977 como oficial de artilharia, servindo no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul.
Ao longo de 15 anos de serviço, acumulou punições disciplinares e se envolveu em polémicas, incluindo uma acusação de planejar atentados a quartéis para pressionar por reajuste salarial. Absolvido pelo Superior Tribunal Militar em 1988, pediu transferência para a reserva e entrou na política no mesmo ano, elegendo-se vereador no Rio de Janeiro.
Carreira política

Em 1990 conquistou uma vaga de deputado federal pelo Rio. Foram sete mandatos consecutivos e quase três décadas na Câmara. Durante esse período, passou por vários partidos, sempre com discurso em defesa das Forças Armadas e críticas ao sistema político. Ficou conhecido como parlamentar do “baixo clero”, sem cargos de destaque, mas ganhou visibilidade pelas declarações polémicas e por elogios à ditadura militar.
A ascensão ocorreu a partir dos anos 2010, com forte presença na internet. Em 2018, à prisão de Lula e ao crescimento do antipetismo, Bolsonaro venceu a disputa presidencial. Sobreviveu a um atentado durante a campanha e chegou ao Planalto com apoio de 57,8 milhões de votos.
Governo e polarização
O mandato foi marcado por confrontos institucionais, sobretudo com o Supremo Tribunal Federal. Criticado pela condução da pandemia e pela política ambiental, manteve apoio fiel entre seus eleitores, alimentado pelo discurso conservador e pela flexibilização da posse de armas. A polarização se intensificou até a eleição de 2022, quando foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
A reação de seus apoiadores incluiu bloqueios de rodovias e acampamentos diante de quartéis. Em 8 de janeiro de 2023, milhares de manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília, episódio interpretado como tentativa de golpe.
Inelegibilidade e processos
Sem mandato, Bolsonaro tornou-se alvo de múltiplas investigações. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral o declarou inelegível até 2030 por abuso de poder durante encontro com diplomatas, no qual questionou o sistema eletrónico de votação. Em 2024 foi indiciado em diferentes casos, incluindo suspeitas de fraude em cartões de vacinação e negociação ilegal de jóias recebidas em viagens oficiais.
No ano seguinte, enfrentou acusações de conspirar para subverter a ordem democrática. Em fevereiro de 2025 virou réu por tentativa de golpe de Estado.
Em julho, após operação da Polícia Federal em sua residência, passou a usar pulseira eletrónica. Poucas semanas depois foi colocado em prisão domiciliária por não cumprir restrições impostas pelo Supremo.
Condenação histórica
Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. Ele foi considerado culpado por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e crimes contra o patrimônio público.
Bolsonaro condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado
O julgamento entrou para a história como a primeira vez em que um ex-presidente e militares de alta patente foram responsabilizados por atacar as instituições democráticas.
O caso encerra, ao menos temporariamente, a trajetória política de Jair Bolsonaro, iniciada com o sonho de servir no Exército e encerrada com uma condenação por conspiração contra a própria democracia.



