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Sargaço de Esposende pode vir a servir de cosmético

A equipa de investigadores da Universidade de Coimbra que está estudar o possível desenvolvimento de produtos feitos a partir do sargaço, uma mistura de diferentes algas, espera apresentar os primeiros resultados já no final deste ano.

O projeto, iniciado em junho de 2021, e apelidado de ‘Valsar’ , propõe desenvolver novos biofertilizantes e bioestimulantes para aplicação na agricultura, assim como avaliar a potencial aplicação das propriedades naturais desta mistura de algas no setor farmacêutico e de cosmética.

“A nível dos bioestimulantes, estamos confiantes que até ao final do ano teremos os resultados compilados e preparados para a divulgação. Nos biofertilizantes, estamos um pouco atrasados, mas já teremos resultados iniciais também no final de 2022. Para o setor cosmético, já realizámos alguns ensaios e acreditamos que também podemos divulgar algumas propriedades até ao final deste ano”, afirmou a investigadora e coordenadora do projeto Cristina Rocha.

A equipa tem vindo a recolher, em diferentes alturas do ano, na costa Litoral Norte, entre Viana do Castelo e Vila do Conde, o sargaço, uma mistura de algas que crescem nas plataformas rochosas e que, com o movimento das ondas, se depositam à beira mar.

Depois, em laboratório, as 13 pessoas que integram o projeto caracterizam o sargaço, estudam-no, fazem a seleção e ensaios com os compostos extraídos destas algas, para depois disseminaram conhecimento produzido, não só para a comunidade científica mas também para o público e potenciais investidores.

“Atualmente, o sargaço é uma biomassa pouco aproveitada, ao contrário de há vários anos onde a sua recolha e comercialização, sobretudo para a agricultura, era o ‘ganha-pão para muitas famílias. Acreditamos que ao identificar as propriedades desta mistura de algas, ela possa ser aplicada em produtos de grande valor comercial, tanto na área agrícola como na vertente cosmética e farmacêutica”, acrescentou Cristina Rocha.

A coordenadora do projeto partilhou que houve contactos de uma empresa norueguesa, que opera neste setor do aproveitamento das algas, e que se mostrou recetiva a criar uma parceira.

O duração desta primeira fase da investigação termina no final deste ano, mas Cristina Rocha mostrou vontade em continuá-la, necessitando de financiamento, público ou privado, para prosseguir o projeto.

Até aqui, o ‘Valsar’ teve o apoio do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP), através do MAR2020, assim como do GAL Costeiro Litoral Norte 2020 e das Câmaras de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, ambas distrito do Porto.

Na apresentação do projeto, e do seu progresso, feito hoje, na Póvoa de Varzim, o autarca local, Aires Pereira, enalteceu “a pertinência e utilidade” do estudo, falando numa “potencial solução para um problema”.

“Todos nós nos queixamos, como utentes das praias, da enorme presença de sargaço, que é um recurso com várias utilizações na agricultura, mas que nos últimos anos teve um enorme decréscimo na sua recolha, por força da utilização dos produtos químicos como fertilizantes”, lembrou Aires Pereira.

O presidente da Câmara da Póvoa de Varzim considerou que o apoio deste tipo de investigação, que promove a economia azul, “permite sensibilizar as pessoas para a importância destas algas e envolver os empresários da região para um potencial investimento que alavanque o projeto”.

“Já tínhamos identificado esta oportunidade no nosso plano estratégico de 2021, no âmbito da economia azul. Temos muito potencial na fileira mar, que vai além da pesca. É uma obrigação dos município apostar nestes projetos”, vincou Aires Pereira.

 

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