Parlamento reconhece identidade histórica e dinamismo económico da freguesia; Luís Nobre acompanhou votação histórica em Lisboa
O dia de hoje, 20 de março de 2026, marca um capítulo indelével na história do concelho de Viana do Castelo. A Assembleia da República aprovou, esta sexta-feira, a elevação da freguesia de Vila de Punhe à categoria de vila. O momento, vivido com emoção nas galerias do Parlamento, contou com a presença de uma comitiva vianense liderada pelo Presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre, acompanhado pelo Vereador Ricardo Rego e pelo presidente da Junta de Freguesia de Vila de Punhe, Bruno Guimarães.
A aprovação do Projeto de Lei nº 354/XVII, apresentado pelo Partido Socialista em janeiro passado, surge após um parecer favorável unânime emitido pelo executivo de Viana do Castelo em fevereiro. Para os autarcas e para a população local, esta decisão não é apenas uma mudança de estatuto administrativo, mas o reconhecimento oficial de uma identidade sociocultural única e de um percurso histórico que remonta a milénios.
A fundamentação para que Vila de Punhe se tornasse vila assentou em “razões de natureza histórica e cultural devidamente comprovadas”, conforme prevê a legislação portuguesa. A ocupação humana na zona de Viana que hoje compreende a nova vila está documentada desde a Idade do Bronze, apresentando uma consolidação territorial marcante durante o período romano.
A própria toponímia da freguesia deriva da “Villa Punica” ou “Villa de Punia”, uma unidade de organização socioeconómica de matriz romana associada ao Castro de Roques. Esta continuidade histórica atravessou a Idade Média, com registos da paróquia de Santa Eulália de Vila de Punhe a surgirem já no século XI e em inquirições reais posteriores. Ao longo dos séculos, a localidade manteve uma dinâmica própria, evoluindo de uma matriz agrária para um polo de desenvolvimento que soube preservar as suas casas senhoriais e quintas históricas, que hoje enriquecem o património de Viana do Castelo.
Com uma área aproximada de 6,7 quilómetros quadrados e uma população residente de 2.064 habitantes, Vila de Punhe apresenta uma densidade populacional significativa e um aglomerado urbano contínuo. No entanto, mais do que os números, foi o “tecido associativo vibrante” e o “dinamismo económico” que convenceram os deputados da nação.
A freguesia dispõe de um conjunto significativo de instituições e equipamentos coletivos que garantem a qualidade de vida dos residentes. Para Luís Nobre, esta elevação constitui “um estímulo ao desenvolvimento sustentável” e consolida a freguesia como um polo de fortalecimento da identidade local dentro do concelho de Viana. A nova vila de Viana do Castelo destaca-se pela sua capacidade de atrair investimento e fixar jovens, num equilíbrio raro entre a preservação da memória e a aposta na modernidade.
A transição de freguesia para vila permite a Vila de Punhe aceder a novos patamares de visibilidade e, potencialmente, a programas de apoio específicos para centros urbanos de média dimensão. No contexto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), esta nova centralidade pode beneficiar de projetos de regeneração urbana e de transição digital que a Câmara de Viana tem promovido em todo o território.
A elevação de povoações a vila em Portugal é regida pela Lei n.º 11/82, mas Vila de Punhe beneficiou de uma “ponderação excecional” devido ao seu valor patrimonial. Este reconhecimento é também uma vitória para a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que defende a valorização das identidades locais como forma de combater o centralismo.
A partir de hoje, Viana do Castelo reforça a sua rede de vilas, criando uma malha territorial mais equilibrada. Vila de Punhe junta-se agora ao grupo restrito de localidades que, pelo seu mérito histórico e social, ascendem a este estatuto, prometendo continuar a ser um motor cultural e económico para todo o Vale do Neiva.




