Investigação da Polícia Judiciária resulta na acusação de 14 cidadãos e oito empresas por fuga ao fisco, falsificação de identidades e associação criminosa
Uma megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) desmantelou uma complexa estrutura transnacional que operava a partir da Zona Industrial da Varziela, em Vila do Conde. A rede é acusada de branquear um montante recorde de 88 milhões de euros gerados através de um circuito maciço de vendas de mercadorias sem a emissão de faturas fiscais.
De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público (MP) do Porto, o processo avançará agora para julgamento com o banco dos réus a ser ocupado por 14 cidadãos de nacionalidade chinesa (com idades compreendidas entre os 29 e os 59 anos) e oito empresas de fachada, indiciados pelos crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais e falsificação de documentos.
O circuito do dinheiro: Estafetas e firmas fantasma
A investigação criminal detalha que o esquema fraudulento funcionava de forma diária, profissional e altamente organizada. O fluxo financeiro paralelo estava estruturado em três etapas fundamentais:
- A Recolha: Um grupo de estafetas ao serviço da rede deslocava-se de forma sistemática aos estabelecimentos comerciais da Varziela para recolher os milhares de euros obtidos com as vendas paralelas (“por fora”);
- A Introdução bancária: O dinheiro líquido era injetado no sistema financeiro através de depósitos atomizados em contas bancárias portuguesas. Estas contas tinham sido abertas recorrendo a identidades falsas e passaportes adulterados, registadas em nome de firmas fictícias (empresas fantasma);
- A Exportação de capital: Uma vez bancarizados, os fundos eram imediatamente transferidos por via eletrónica para contas de empresas sediadas na China, ocultando os beneficiários reais e evadindo por completo o pagamento de impostos devidos ao Estado português.
Apreendidos 1,5 milhões em numerário e carros de luxo
Durante as sucessivas buscas policiais realizadas aos armazéns, escritórios e residências dos suspeitos na região do Grande Porto, os inspetores da Polícia Judiciária conseguiram intercetar e apreender 1,5 milhões de euros em dinheiro vivo (numerário) que aguardava recolha. Foram igualmente arrestadas quatro viaturas automóveis de gama alta, adquiridas para usufruto dos líderes da organização e alegadamente financiadas pelo lucro da atividade ilícita.
O caso expõe a vulnerabilidade e a dimensão do comércio paralelo instalado naquela zona económica de Vila do Conde, bem como a sofisticação dos mecanismos de evasão fiscal e ocultação de fluxos financeiros internacionais para o continente asiático.
Os cidadãos que pretendam consultar comunicados oficiais sobre o combate à criminalidade económica, submeter denúncias anónimas de fraude fiscal ou verificar os canais de contacto da Direção-Geral da Administração de Justiça podem fazê-lo acedendo ao portal da Polícia Judiciária de Portugal.




