Com o regresso da comissão de amortização antecipada para os créditos à habitação com taxa variável a partir de 1 de janeiro de 2026 (0,5% do montante amortizado), milhares de famílias estão a fazer contas.
A pergunta é direta: vale ou não vale a pena amortizar já? A resposta depende menos da comissão e mais da realidade financeira de cada agregado.
O que está realmente em causa
A penalização de 0,5% é pequena quando comparada com o impacto dos juros e do seguro de vida ao longo dos anos. Se já tem uma poupança de emergência sólida — entre 6 e 12 meses de despesas — e dinheiro adicional disponível, faz sentido ponderar uma amortização ainda em 2025.
As vantagens que fazem diferença
Poupança em juros. Antecipar a amortização reduz o capital em dívida e corta juros de forma estrutural. Feita cedo, esta decisão pode representar milhares de euros ao longo do contrato.
Seguro de vida mais barato. Quanto menor o capital em dívida, menor tende a ser o prémio. Em amortizações totais pode até desaparecer.
Menos dívida, mais descanso. A tranquilidade de eliminar ou reduzir a prestação pesa — e muito — na balança de muitas famílias.
Liquidez futura libertada. Embora perca liquidez no momento da amortização, recupera-a depois através da redução da prestação e do encargo total.
Os riscos que não deve ignorar
Liquidez reduzida. Se amortizar à custa das suas poupanças, pode ficar vulnerável perante imprevistos.
Comissões. Em créditos de taxa fixa, a penalização pode chegar a 2%. É obrigatório fazer contas.
Grandes compras no horizonte. Se precisar de crédito para outro objetivo — como trocar de carro — vai pagá-lo muito mais caro do que o crédito à habitação que agora está a amortizar.
Investimentos com melhor retorno. Se tem alternativas seguras (e compreendidas) com rentabilidade superior ao custo efetivo do crédito, amortizar pode não ser a melhor opção.
De modo que…
Amortizar agora não é uma corrida cega ao 0,5%. É uma decisão estrutural. Exige contas ao cêntimo: liquidez atual, juros futuros, seguros, projetos familiares e risco. E
m caso de dúvida, procure aconselhamento verdadeiramente independente — se o consultor só ganha quando vende, não está a trabalhar para si.



