As barragens portuguesas descarregaram, desde o início de janeiro, o equivalente a um ano inteiro do consumo nacional de água, numa operação preventiva destinada a criar capacidade para encaixar as cheias provocadas pelas sucessivas tempestades que atingiram o país nas últimas semanas.
A informação foi confirmada esta sexta-feira pela ministra do Ambiente e da Energia ao E24.
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Segundo o Governo, estas descargas foram determinantes para evitar cheias de grandes dimensões, num contexto meteorológico excecional. Janeiro foi o segundo mês com maior precipitação dos últimos 25 anos, enquanto dezembro ocupou o sétimo lugar no mesmo período de análise.
As operações de descarga foram realizadas sob orientação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em articulação com Espanha, devido às bacias hidrográficas partilhadas, e com uma gestão ajustada às marés nas zonas de foz, para reduzir o impacto a jusante.

“Desde janeiro até ao início do atual comboio de tempestades, as barragens libertaram mais água do que aquela que os portugueses consomem num ano. Só assim foi possível evitar uma grande cheia”, afirmou a ministra, sublinhando que se trata de um processo complexo e de risco, já que a água libertada poderá fazer falta caso a precipitação prevista não se concretize.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, confirmou que todas as barragens do país estão atualmente a descarregar, incluindo as do Algarve, região tradicionalmente afetada pela escassez hídrica. Entre os exemplos referidos estão as barragens da Bravura, Santa Clara e Monte da Rocha, algumas das quais habitualmente operam com níveis muito baixos de armazenamento.
No total, foram libertados 789 hectómetros cúbicos de água, um volume considerado “brutal” pelas autoridades, para garantir margem de segurança face às cheias.
Rios do Minho em vigilância
No Minho, a situação está a ser acompanhada de perto, com a APA a identificar risco de inundações nos dias 6 e 7 de fevereiro em vários concelhos atravessados por rios de resposta rápida à precipitação intensa.
No rio Lima, estão sinalizados Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima.
No rio Cávado, a atenção centra-se em Braga, Barcelos, Vila Verde e Esposende, zonas onde o histórico de cheias rápidas obriga a vigilância apertada.
Já no rio Ave, o risco abrange Santo Tirso, Trofa e Vila Nova de Famalicão.
Estas áreas integram o grupo de 21 concelhos com risco de inundações, enquanto outros 42 concelhos a nível nacionalenfrentam risco elevado, sobretudo nas bacias do Tejo, Mondego e Sado, que continuam a ser as que mais preocupam as autoridades.
Tempestade Marta agrava cenário
O quadro meteorológico deverá agravar-se com a chegada da tempestade Marta, que traz previsão de chuva intensa, vento forte, neve nas zonas altas e forte agitação marítima.
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Neste momento, estão mobilizados cerca de 26 mil operacionais da Proteção Civil em todo o país, numa operação de prevenção e resposta que envolve bombeiros, forças de segurança, autarquias e serviços de emergência.
As autoridades apelam à cautela junto a linhas de água, à limpeza de sistemas de drenagem e ao cumprimento das indicações da Proteção Civil, especialmente nos concelhos do Minho, onde a combinação de solos saturados e novos episódios de chuva aumenta o risco de cheias rápidas.



