A 27.ª edição do “Março com Sabores do Mar” vai voltar a colocar Esposende no mapa da gastronomia atlântica, ao longo de todo o mês, com uma programação que cruza restauração, ciência, cultura e educação alimentar.
A novidade deste ano é o “Tacho de Ouro”, uma classificação que um júri independente vai atribuir, acabando desta forma com o concurso que existia.
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O evento envolve 47 restaurantes e 25 padarias e pastelarias, além de escolas, cantinas e museus do concelho.
A vereadora Fátima Escrivães sublinhou que o objetivo passa por “descobrir Esposende através da sua gastronomia atlântica”, promovendo pratos de peixe e marisco, mas também os produtos agrícolas locais integrados no programa ESlocal.
“Temos mar, mas também temos campo. Não podemos esquecer os nossos hortícolas”, destacou.
Uma das novidades é a reformulação do modelo de avaliação. O concurso dá lugar a uma classificação por ‘Tacho de Ouro, Prata e Bronze’, permitindo distinguir mais restaurantes. O júri irá avaliar 14 espaços em dois dias intensivos, analisando não apenas a confeção, mas também qualidade dos produtos, serviço, higiene e condições das instalações.

José Silva, enófilo e jurado, reconheceu a evolução da restauração local.
“Os restaurantes de Esposende cresceram muito, sobretudo na escolha criteriosa dos produtos e na valorização da qualidade. O serviço é hoje fundamental, especialmente com o aumento de visitantes estrangeiros”, afirmou, lembrando que a autenticidade da cozinha tradicional é um trunfo junto de mercados como o norte-americano.
O presidente da Câmara, Carlos Silva, classificou o evento como “um evento cultural”, defendendo que a alimentação é mais do que um ato fisiológico: “É experiência, é identidade, é memória.” O autarca alertou para a necessidade de reforçar a sustentabilidade alimentar, lembrando que Portugal continua dependente de importações, apesar da riqueza marítima e agrícola.
“Quem tem mar nunca é pequeno”, afirmou, defendendo a valorização do pescado local e a diversificação do consumo, para além da sardinha, polvo e do bacalhau. O edil chamou ainda a atenção para a falta de literacia alimentar nas gerações mais novas e para a necessidade de educar as crianças para o consumo regular de peixe.

A programação estende-se por todo o mês e inclui exposições como “Rede” (1 a 31) e “Projeto Sargaçum” (14 a 31), encontros científicos sobre algas, tertúlias como “Sabedoras: Matriarcas da Nossa Cozinha” e iniciativas dedicadas ao Dia Internacional da Mulher.
Na vertente competitiva, destacam-se o desafio culinário “Desgraçe na Cozinha” (15 de março), o concurso “Jovem Gastrónomo dos Sabores do Mar”, a final do “Fish Chef” e o envolvimento de 17 cantinas no projeto “Cantinas Sustentáveis com Sabores do Mar”.
Há ainda espaço para recriações gastronómicas, como o “Jantar com Manuel de Boaventura”, para a feira “Páscoa ESlOCAL”, dedicada a produtos endógenos, e para ações pedagógicas como “Salvar o Planeta à Mesa” e “Street Fish Food”.
O município promove também a campanha “Leva-me Contigo”, contra o desperdício alimentar na restauração, incentivando os clientes a levarem as sobras das refeições.
Para a autarquia, o evento deve mobilizar não apenas visitantes, mas sobretudo a população local.
“Temos de deixar isto melhor do que recebemos”, afirmou Carlos Silva, sublinhando que sustentabilidade, sazonalidade e valorização do produto local são as bases de uma estratégia que quer afirmar Esposende como referência nacional na gastronomia ligada ao mar.



