A Polícia Judiciária esteve esta terça-feira no quartel dos Bombeiros Voluntários Famalicenses, numa operação que volta a lançar suspeitas graves sobre o funcionamento interno da corporação.
Em causa estarão alegadas irregularidades nas escalas do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), com suspeitas de falsificação de documentos para beneficiar elementos envolvidos no dispositivo. A investigação aponta ainda para a aquisição recorrente de material num único estabelecimento comercial, que será um supermercado pertencente à mulher do comandante.
Os inspetores da PJ de Braga permaneceram várias horas nas instalações, entre a manhã e o início da tarde, recolhendo documentação e outros elementos considerados relevantes para o processo.
Suspeitas antigas voltam à tona
O caso não surge do nada. Já em junho de 2025, o nome do comandante Bruno Alves esteve no centro da polémica, com a colocação de tarjas em vários pontos de Vila Nova de Famalicão a exigir a sua demissão.
Mensagens como “Chega de corrupção” e “Rua comandante Bruno” apareceram junto ao quartel e em rotundas do concelho, refletindo um ambiente de contestação interna. Na altura, fontes ligadas aos bombeiros denunciavam alegadas irregularidades, incluindo o uso indevido de recursos da corporação.
Bruno Alves reagiu então garantindo estar de “consciência completamente tranquila” e anunciou intenção de avançar com uma queixa-crime contra os autores das acusações.
Silêncio da direção
Contactado agora após as buscas, o comandante remeteu esclarecimentos para o presidente da associação humanitária, Amadeu Carneiro, que até ao momento não prestou declarações.
A corporação de Famalicão, uma das mais relevantes do concelho, recebe anualmente apoios públicos da autarquia, o que aumenta a pressão para esclarecimentos rápidos sobre a gestão interna.
Investigação em curso
A PJ não divulgou oficialmente detalhes da operação, mas o foco em documentação operacional e circuitos de aquisição de material indica uma investigação com potencial impacto judicial e disciplinar.
O caso pode vir a expor fragilidades no controlo de fundos e na organização dos dispositivos de combate a incêndios — áreas críticas num país frequentemente afetado por fogos rurais.
A investigação segue em curso.



