Partido diz que habitação está a consumir mais de metade do salário médio e acusa executivo de ignorar soluções imediatas
O Bloco de Esquerda de Esposende está a subir o tom contra a estratégia da autarquia para a habitação e questiona diretamente a prioridade dada à revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) num momento em que as rendas atingem níveis considerados insustentáveis.
Em comunicado, o partido aponta que as rendas no concelho já representam cerca de 53% do salário médio, classificando a situação como uma verdadeira crise habitacional. Perante este cenário, os bloquistas não entendem a “fixação” do executivo na revisão do PDM, defendendo que essa medida não terá impacto imediato na vida dos esposendenses.
“Se o PDM não baixa as rendas, porquê a urgência?”, questiona o Bloco, que insiste na necessidade de respostas concretas e rápidas. A proposta passa pela criação de um programa municipal de apoio ao arrendamento, capaz de reduzir o peso da habitação no rendimento das famílias no curto prazo.
Revisão do PDM vista com desconfiança
O partido alerta ainda para os riscos associados a uma revisão acelerada do plano. Segundo o Bloco, experiências anteriores mostram que estas alterações acabam por promover sobretudo a transformação de terrenos agrícolas em urbanos, sem resolver o problema central do acesso à habitação.
Os bloquistas temem que esta opção possa agravar erros de planeamento urbanístico do passado, contribuindo para um território mais disperso, com habitações afastadas de serviços e transportes públicos.
A crítica aponta diretamente ao modelo de crescimento do concelho, que consideram desajustado às necessidades atuais, com centros urbanos fragilizados e pouca densidade habitacional.
Reabilitação e habitação pública como alternativa
Como alternativa, o Bloco de Esquerda defende a aposta na reabilitação de edifícios devolutos e na criação de habitação pública ou a custos controlados. Para o partido, estas são soluções mais eficazes para responder à crise e garantir casas acessíveis.
Os bloquistas acusam ainda a revisão do PDM de estar orientada para responder a interesses individuais de construção, em vez de uma estratégia pública de habitação.
O partido garante que apoiará alterações ao PDM apenas se estas tiverem impacto direto na acessibilidade da habitação, deixando claro que, neste momento, a prioridade deve ser baixar rendas e dar resposta imediata às famílias.



