O Bloco de Esquerda de Esposende acusa o executivo municipal de não estar a responder à dimensão da crise da habitação no concelho e aponta para um dado que considera revelador: 53,1% do rendimento das famílias já é absorvido pelo pagamento da renda.
Em comunicado, a estrutura local bloquista sustenta que os dados mais recentes mostram que “os esposendenses estão a trabalhar quase apenas para pagar a renda”, defendendo que a pressão sobre os agregados familiares se agravou de forma clara nos últimos anos.
O valor referido pelo partido coincide com indicadores divulgados este ano e relativos a 2023, segundo os quais o esforço com a renda em Esposende subiu para 53,1%, acima dos 42,9% registados em 2019. O indicador mede a percentagem do rendimento familiar canalizada para o arrendamento e mostra uma deterioração acentuada da acessibilidade à habitação no concelho.
Perante este cenário, o Bloco considera “incompreensível” que a autarquia tenha colocado a tónica de 2026 na expansão económica e nas zonas industriais, quando o problema da habitação, diz, está a empurrar cada vez mais famílias para uma situação de sufoco financeiro.
No texto enviado à redação do E24, o partido avisa ainda que a atual instabilidade internacional poderá ter reflexos adicionais nos custos suportados pelas famílias, nomeadamente através do financiamento e da evolução das rendas, sustentando que a pressão sobre quem vive no concelho pode vir a agravar-se.
Do lado do município, o Plano de Atividades e Orçamento para 2026, aprovado em dezembro, prevê 70,8 milhões de euros de orçamento direto e identifica como eixos centrais áreas como saneamento, educação, cultura, desenvolvimento económico, turismo e apoio social. O documento também refere políticas de habitação, mobilidade inclusiva e bem-estar comunitário.
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O Bloco de Esquerda insiste, no entanto, que a resposta municipal continua aquém da urgência do problema e pede uma aposta mais clara em habitação a custos acessíveis, numa altura em que Esposende surge entre os concelhos do país onde o peso da renda sobre o rendimento das famílias mais pressiona os orçamentos domésticos.




