Há momentos na história dos homens em que o silêncio diz mais do que a retórica.
Vivemos submersos num ruído incessante, numa pressa que nos rouba o fôlego e, por vezes, a própria alma. É precisamente no meio deste turbilhão que a Páscoa nos surge como um ancoradouro de ternura. É o tempo de parar. É o tempo de rever quem amamos, de sentir o calor do abraço que a distância ou o tempo teimaram em adiar.
Este reencontro com os nossos só ganha o seu verdadeiro brilho quando iluminado pela memória do Calvário. Não podemos, nem devemos, esquecer Aquele que, por um amor que a razão humana mal consegue abraçar, morreu na cruz para salvar a humanidade. O Seu sacrifício foi a entrega total; a Sua vitória, ao ressuscitar ao terceiro dia conforme as escrituras, é a garantia de que nenhuma dor é eterna e nenhum túmulo é o fim.
Curvemo-nos perante a única soberania que verdadeiramente liberta: não há rei se não Jesus Cristo, nosso Senhor. Diante d’Ele, as coroas da terra tornam-se pó e as vaidades humanas dissipam-se como o nevoeiro da manhã.
Que esta Santa Páscoa entre nas nossas casas com a leveza de uma brisa. Que a mesa posta seja um altar de gratidão e que o olhar sobre o próximo seja revestido de uma nova doçura. Porque, se Ele venceu a morte, nós também podemos vencer o desalento, a solidão e as divisões.
Aos leitores do E24.pt, a todas as famílias de Norte a Sul de Portugal, desejo que a luz da Ressurreição transforme cada incerteza em caminho e cada lágrima em semente de alegria.
Tenham uma Santa e abençoada Páscoa.
Um abraço fraterno.




