A antiga lixeira de Laúndos, na Póvoa de Varzim, voltou ao centro da polémica após o Bloco de Esquerda (BE) questionar o Governo sobre a reposição de depósitos ilegais de resíduos naquele local, duas décadas após o seu encerramento.
Segundo o partido, o espaço — que foi selado em 2004 no âmbito de um processo de recuperação ambiental conduzido pela LIPOR — apresenta hoje sinais claros de abandono e falhas de fiscalização. No terreno, denunciam os bloquistas, voltou a instalar-se um cenário de vazadouro a céu aberto, com acumulação de lixo de várias tipologias.
Entre os resíduos identificados estão entulho de obras, mobiliário, plásticos, colchões, louças sanitárias e até telhas com amianto, um material considerado perigoso para a saúde pública. A proximidade ao aeródromo da Póvoa de Varzim agrava as preocupações.

Não é a primeira vez que o problema é levantado. Em 2022, o BE já tinha alertado o Executivo para uma situação semelhante, que acabou por ser resolvida. No entanto, o cenário repete-se agora, o que, para o partido, demonstra um “falhanço evidente das políticas públicas de acompanhamento e fiscalização”.
No requerimento enviado à Assembleia da República, o Bloco quer saber se o Governo tem conhecimento da situação e se entidades como o SEPNA da GNR foram notificadas. Exige ainda medidas concretas para travar a reincidência deste tipo de práticas.
Os bloquistas defendem a necessidade urgente de identificar a origem dos resíduos e responsabilizar os infratores, bem como avançar com a limpeza e requalificação do espaço. O objetivo, sublinham, é devolver a área à população em condições de segurança ambiental.
A denúncia reacende o debate sobre a eficácia da fiscalização ambiental e levanta dúvidas sobre a capacidade das autoridades em prevenir crimes ambientais recorrentes em zonas já intervencionadas.




