Pais denunciaram acessos indevidos a processos clínicos de menores. Em Esposende, há relatos de consultas em massa a dados de crianças ligadas a uma IPSS.
O caso, avançado pelo Expresso e confirmado pela agência Lusa, envolve a possível utilização abusiva das credenciais de acesso de um médico, que terão sido comprometidas por um pirata informático.
Nas últimas horas, vários pais começaram a denunciar consultas suspeitas aos processos clínicos dos filhos, alguns deles bebés e crianças pequenas.
Entre os casos relatados está também uma situação ligada à ULS Barcelos/Esposende, onde, segundo informações recolhidas pelo E24, terão sido consultados dados clínicos de várias crianças associadas a uma IPSS do concelho de Esposende.
A situação provocou alarme entre encarregados de educação, com muitos a recorrerem ao portal do SNS para confirmar quem acedeu à informação clínica dos filhos.
O portal permite consultar esse histórico através da opção “Quem viu a minha informação”, disponível na versão de computador.
A Ordem dos Médicos confirmou já ter recebido dezenas de queixas durante esta sexta-feira. O bastonário Carlos Cortes explicou à agência Lusa que, numa fase inicial, admitiu-se a possibilidade de má conduta profissional, mas os indícios apontam agora para “uma falha de cibersegurança”.
“Parece que estamos perante uma situação de segurança informática”, afirmou o responsável, acrescentando que a Ordem contactou o Ministério Público, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e a Unidade Local de Saúde do Alto Minho, onde o médico exerce funções.
Entretanto, o acesso ao portal do SNS e à aplicação SNS 24 registou instabilidade ao longo do dia, numa altura em que milhares de utilizadores tentavam verificar eventuais acessos indevidos.
Os relatos multiplicam-se em diferentes zonas do país, mas o eventual envolvimento de crianças da região de Esposende está a gerar especial preocupação, sobretudo por envolver menores ligados a respostas sociais e educativas.
Até ao momento, não existe confirmação oficial sobre o número de processos clínicos consultados nem sobre a dimensão real da eventual intrusão informática.



