Em crónicas anteriores, passou-se em revista o desempenho em 2025 e perspectivas para 2026, quanto à Agere e InvestBraga.
No que respeita à empresa municipal de Braga, com a responsabilidade da gestão da habitação social e apoios à comunidade, o exercício de 2025 apresentou-se bem escudado seja na autonomia financeira como na solvabilidade, um nível de endividamento sustentável e resultado líquido positivo.
Em oposição, os rácios económicos foram mais modestos, mas justificados pela natureza e missão da BragaHabit. No entanto, e pela negativa, destaca-se a execução de apenas 55% dos 17,5 milhões de euros de receita prevista, já que esta empresa municipal se viu privada de quase 7 milhões de euros por parte do organismo do Estado português responsável pela matéria da habitação social.
Tal, impediu a aquisição e/ou reabilitação de imóveis, esperando-se uma maior capacidade de reivindicação por parte do novo Conselho de Administração da BragaHabit junto do IHRU.
Voltando às contas, há um alerta para o desequilíbrio entre o prazo médio de recebimento, acima de 135 dias, e o de pagamento, com cerca de 80 dias,
causando pressão na tesouraria, o que impede de acudir a mais famílias necessitadas.
Relativamente às reabilitações em curso ou planos de reabilitação e/ou construção surgem interrogações:
- Bairro das Andorinhas: apenas 65% de progresso numa obra com duração prevista de 18 meses colocando assim em risco o financiamento PRR até ao final de Junho de 2026. Ficará a obra bem concluída em contra-relógio?
- Bairro das Enguardas: obras iniciadas em 2024 mas que pararam por incumprimento contratual ficando mais de metade dos 27 fogos por executar. A quem assacar responsabilidades?
- Complexo Habitacional do Picoto: a comunicação da BragaHabit diverge da do Município, pois a palavra “Reestruturação” suscita diferentes interpretações. Afinal é para manter algumas das habitações ou para proceder à sua total demolição?
- Projecto de São Gregório: não sendo possível acelerar este concurso, dever-se-á considerar outra estratégia de habitação social? A avançar, que não se repitam os erros do Complexo Habitacional do Picoto.
Ainda de volta da Habitação, o Município de Braga anunciou 27 habitações na Quinta da Arcela há mais de 2 anos e no âmbito da requalificação de imóveis existentes financiadas pelo PRR, e que ficariam concluídas em 2026. Foi, também, uma bandeira de campanha da coligação Juntos por Braga nas últimas eleições autárquicas, mas que ficará sem efeito nestes moldes.



