Homenagem decorreu no Centro Cultural e reuniu quatro gerações de descendentes do engenheiro vianense que, em 1913, construiu um avião histórico
A Força Aérea Portuguesa prestou, esta terça-feira, 30 de junho de 2026, uma homenagem à memória do engenheiro João Branco, figura cimeira e pioneira da aeronáutica em Portugal. Numa cerimónia de confraternização que teve lugar no Centro Cultural de Viana do Castelo, as autoridades militares entregaram à filha do engenheiro o troféu alusivo ao 74.º aniversário da Força Aérea e o Coração comemorativo da instituição.
O momento solene reuniu quatro gerações da família do homenageado, contando com a presença da filha, netos, bisnetos e até tetranetos do histórico vianense, já consagrado como Cidadão de Mérito de Viana do Castelo.
“Uma semente que ainda hoje perdura”
O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio da Costa Pereira, classificou como “uma honra e um privilégio” a oportunidade de reconhecer publicamente o legado do engenheiro mecânico. O Chefe do Estado-Maior sublinhou que Viana do Castelo se distingue na história da aviação graças ao “aventurismo” de João Branco, que funcionou como “o embrião de um trabalho enorme”:
“A Força Aérea tem hoje um pilar de rigor e eficiência muito graças ao trabalho do engenheiro. Há 114 anos, deixou uma semente que ainda hoje perdura.”
O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, associou-se à iniciativa e agradeceu à Força Aérea o reconhecimento de um homem que descreveu como “extraordinário”, realçando que a cidade “respira esta vontade de procurar, de inovar e de fazer diferente, lançando-se ao desconhecido”.
Do automóvel de 1906 ao voo histórico de 1913
Nascido em Viana do Castelo a 25 de maio de 1877, João Branco estudou no Colégio do Espírito Santo, frequentou a Escola de Belas Artes e diplomou-se em Engenharia Mecânica na Bélgica. A sua vida ficaria marcada por um génio inventivo invulgar para a época:
- Em 1906: Projetou e construiu um automóvel inovador de cinco lugares, equipado com quatro cilindros e doze cavalos de potência.
- Em 1913 (O marco aeronáutico): No dia 19 de junho, o laboratório-oficina do engenheiro deu vida a um aeroplano (um modelo Blériot XI, com motor NSU importado de Inglaterra). Pilotado por Norberto Gonçalves, o aparelho descolou da Ínsua Cavalar, contornou a ínsua voando sobre Darque e aterrou com sucesso numa pista improvisada, maravilhando os populares.
- Em 1930: Desenhou um barco automóvel para transportar banhistas para a Praia do Cabedelo e, mais tarde, montou dois geradores elétricos cruciais para colmatar as falhas de energia durante a construção das docas dos estaleiros navais.
Antes deste tributo em 2026, o Eng. João Branco já tinha sido alvo de uma grande homenagem pública em Viana do Castelo durante as V Jornadas Aeronáuticas da AEFA (Associação de Especialistas da Força Aérea), realizadas em novembro de 1997.
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