Conhecido como “Só Filipe”, o artista multidisciplinar faleceu aos 44 anos, deixando um legado indelével no circo contemporâneo, no teatro físico e na dança
A cultura portuguesa e a comunidade das artes performativas estão de luto com o falecimento, esta segunda-feira, 29 de junho de 2026, de Filipe Caldeira. Nascido em Vila do Conde em 1982 e conhecido no meio artístico como Só Filipe, o criador foi um dos pioneiros e nomes incontornáveis do movimento do Novo Circo em Portugal, tendo desenhado uma carreira de mais de duas décadas pautada pela experimentação e pela quebra de barreiras entre disciplinas artísticas.
Uma linguagem única entre o objeto, o corpo e o movimento
Filipe Caldeira iniciou o seu percurso artístico no ano de 2000, focando-se inicialmente na manipulação de objetos. Com o passar dos anos, o seu trabalho distanciou-se do virtuosismo técnico tradicional do circo para explorar uma linguagem mais introspetiva e conceptual. Cruzando o circo contemporâneo com o teatro físico, a dança e a performance, Só Filipe construiu uma identidade singular em cima do palco, onde a relação entre o corpo humano, a voz e a cenografia era constantemente reinventada.
Colaborações marcantes no panorama nacional
Desde 2005, o vilacondense afirmou-se como autor e intérprete de excelência, colaborando com algumas das mais prestigiadas companhias, programadores e coreógrafos do país. No seu vasto currículo contam-se parcerias com:
- Joana Providência na peça Catabrisa (2012);
- Marco da Silva Ferreira na aclamada produção Brother (2017);
- Estruturas de referência como o Teatro do Frio, a RADAR 360º, a Companhia Erva Daninha, a Casa da Música e as Comédias do Minho.
Um dos seus trabalhos mais recentes e aplaudidos inseriu-se na criação “Eu Quero é Andar de Carrinhos de Choque”, produzida pelo INAC – Instituto Nacional de Artes do Circo sob a direção artística de Bruno Machado. A peça voltou a colocar em evidência a intensidade interpretativa, a versatilidade e a forte presença cénica que definiram toda a sua carreira.
Uma perda irreparável para a cultura
Reconhecido pelos seus pares pela profunda generosidade, sensibilidade e audácia criativa, Só Filipe projetou o Novo Circo português além-fronteiras com diversas apresentações internacionais. A sua partida prematura representa uma perda profunda para o panorama artístico nacional, sobrevivendo um património de pesquisa e criação que continuará a servir de farol para as novas gerações de artistas circenses e performativos em Portugal.
À família, aos amigos próximos e a toda a comunidade artística que partilhou palcos e cumplicidades com o criador, são endereçadas as mais sentidas condolências.




