Grupo adquiria sociedades com «sócios de favor» para esquemas de financiamento e desvio de viaturas de topo. Sete homens detidos numa megaoperação de âmbito nacional
A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Sul, desmantelou uma organização criminosa vocacionada para a aquisição de sociedades comerciais através de «sócios de favor» (vulgo “testas de ferro”). O esquema visava a obtenção ilícita de financiamentos bancários e a apropriação de mercadorias e veículos de alta gama, causando prejuízos patrimoniais superiores a 1,6 milhões de euros.
A operação, batizada de “Alta Gama”, mobilizou cerca de 50 inspetores e culminou na detenção de sete homens, com idades compreendidas entre os 49 e os 63 anos, que desempenhavam diferentes papéis na estrutura do grupo.
Esquema funcionava desde 2024 com recurso a viaturas de luxo
Segundo as autoridades, a atividade ilícita decorria de forma continuada pelo menos desde o início de 2024. O modus operandi consistia em utilizar as empresas recém-adquiridas para obter empréstimos e viaturas de alta cilindrada em regime de locação financeira (leasing).
Posteriormente à posse dos veículos, a rede procedia à sua alteração de matrícula no estrangeiro, revendendo depois as viaturas a terceiros e ficando com as mais-valias.
Durante a ação policial foram cumpridas 11 buscas domiciliárias e duas em estabelecimentos comerciais, culminando na apreensão de:
- 3 viaturas de passageiros;
- Cerca de 40.000 euros em dinheiro físico;
- Vasta documentação contabilística e bancária.
Ações em nove concelhos e coordenação a partir de Faro
As diligências operacionais decorreram em nove concelhos de norte a sul do país: Braga, Guimarães, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Guarda, Oliveira do Hospital, Albufeira, Quarteira e Vilamoura.
A Diretoria do Sul contou com o apoio operacional dos Departamentos de Investigação Criminal de Braga e da Guarda, além das Diretorias do Norte e do Centro da PJ.
Os detidos estão indiciados pelos crimes de associação criminosa, burla qualificada e branqueamento de capitais. Serão presentes a primeiro interrogatório judicial para a aplicação das respetivas medidas de coação. O inquérito é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Faro.










