Vereador na Câmara de Braga e deputado na AR da Iniciativa Liberal critica falta de concretização do executivo, exige garantias para a Circular Externa e defende um metro de superfície como solução estrutural para a mobilidade.
Rui Rocha considera que o primeiro ano da presidência de João Rodrigues na Câmara Municipal de Braga ficou marcado por anúncios sem concretização. Em entrevista ao E24, conduzida por João Pedro Lopes no “Sentido Único”, o deputado e vereador da Iniciativa Liberal classificou a atual governação municipal como um mandato de “pólvora seca”.
“João Rodrigues promete como nunca e atrasa como sempre”, afirmou Rui Rocha, apontando como exemplos a suspensão da linha urbana do BRT, a demora na transmissão das reuniões de Câmara e a ausência de avanços no estudo para um metro de superfície.
Para o antigo líder da IL, algumas das decisões apresentadas como mudanças relevantes correspondem à reversão de opções anteriormente defendidas pelo próprio presidente da autarquia. É o caso da suspensão da Linha Vermelha do BRT, que previa ligar a estação ferroviária ao Hospital de Braga, passando pela Universidade do Minho.
Rui Rocha acusa João Rodrigues de ter apresentado a Circular Externa como contrapartida pelo abandono daquele projeto, apesar de ter prometido as duas infraestruturas durante a campanha eleitoral.
“Prometeu o BRT e a Circular Externa. Não eram alternativas, eram medidas cumulativas”, sublinhou. O vereador lembrou ainda que o autarca anunciou a assinatura, no prazo de quatro semanas, de um protocolo com o Governo para financiar a nova circular rodoviária.
Segundo Rui Rocha, esse prazo já foi ultrapassado sem que sejam conhecidas garantias sobre o financiamento. O liberal considera que o próximo Orçamento do Estado será decisivo.
“Ou o próximo Orçamento do Estado tem sinais claros de financiamento para a Circular Externa, ou João Rodrigues terá muitas explicações a dar aos bracarenses”, advertiu.
A Câmara de Braga suspendeu o projeto da Linha Vermelha do BRT, que tinha um financiamento de cerca de 76 milhões de euros, defendendo como prioridades a Circular Externa e a futura ligação de metrobus entre Braga e Guimarães. João Rodrigues afirmou anteriormente que o município não perderia dinheiro com a alteração da estratégia de mobilidade.

Metro de superfície com horizonte de dez anos
Rui Rocha voltou a defender a criação de um metro de superfície em Braga, considerando o BRT uma resposta insuficiente para transformar estruturalmente a mobilidade.
A proposta da IL para a realização de um estudo de viabilidade foi incluída no Orçamento Municipal de 2026, mas, de acordo com o vereador, ainda não terá avançado.
“Não é uma solução para funcionar amanhã, mas daqui a dez anos tem de estar no terreno. Para isso, tem de ser estudada agora”, sustentou.
O liberal defende igualmente uma ligação ferroviária entre Barcelos, Braga e Guimarães, com possibilidade de posterior prolongamento, capaz de servir uma região com cerca de um milhão de habitantes.
“A oposição não bloqueou o executivo”
Sobre a ausência de maioria no executivo municipal, Rui Rocha rejeitou a acusação de que os partidos da oposição estejam a bloquear a governação.
O vereador recordou que a oposição viabilizou instrumentos considerados essenciais, como o orçamento municipal, a reorganização dos serviços da Câmara e o Plano Diretor Municipal.
“As pessoas não votaram em nós para assinarmos cheques em branco a João Rodrigues”, frisou, garantindo que a IL continuará a exercer uma oposição “rigorosa, exigente e responsável”.
Rui Rocha criticou também a falta de transmissão online das reuniões do executivo. Segundo o vereador, João Rodrigues assumiu publicamente essa possibilidade, mas a medida continua por concretizar, apesar de a IL ter apresentado uma proposta formal.
Habitação, imigração e falta de capacidade dos serviços
A habitação foi outro dos temas abordados. Rui Rocha mostrou-se preocupado com os dados relativos ao licenciamento de novas casas em Braga e antecipa um desempenho negativo em 2026.
Na sua perspetiva, a aprovação do novo PDM ainda não produziu o impulso prometido e a falta de uma visão estratégica para a cidade pode afastar investidores. “Quem investe procura crescimento e oportunidades. João Rodrigues não está a conseguir vender essa visão”, declarou.
O deputado abordou igualmente o crescimento da população imigrante, reconhecendo que nem Braga nem o país estavam preparados para responder ao aumento registado nos últimos anos.
Habitação, trânsito, saúde e segurança são, para Rui Rocha, algumas das áreas onde o crescimento populacional tornou mais visíveis as limitações existentes. O liberal chamou a atenção para o número de efetivos da PSP, que considera semelhante ao existente em 2009, apesar do aumento da população.
Rui Rocha manifestou ainda preocupação com a sobrelotação do Estabelecimento Prisional de Braga, apontando consequências para os reclusos, guardas prisionais e restantes profissionais.
Questionado sobre uma eventual nova candidatura à presidência da Câmara de Braga, o vereador não abriu o jogo. Garantiu estar concentrado nos mandatos de deputado e de autarca, remetendo qualquer decisão para mais tarde: “O meu horizonte termina no final de cada um destes mandatos. O futuro logo se verá.”















